27 de novembro de 2014

Rede de Organizações da Agricultura Familiar celebra 15 anos de atuação no Semiárido Brasileiro

Foto: Asa PB
“Ampliar a Resistência e Fortalecer a Convivência” foi com esse lema que a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) celebrou na manhã desta quarta-feira, 26, seus 15 anos de atuação nos estados do Nordeste e parte do estado de Minas Gerais, trabalhando pelo fortalecimento da Agricultura Familiar de base agroecológica.

Em todo Brasil, entre às 10h e 12h, várias mobilizações relâmpagos (Flash Mobs) aconteceram para dar visibilidade às ações de convivência da ASA. A iniciativa dialogou com a população urbana, convidando homens e mulheres a fazerem uma reflexão a partir das temáticas “Água como Alimento e Água para a Produção de Alimentos”, na perspectiva de se pensar os modelos de agricultura, um que produz alimentos saudáveis, e outro, associado ao agronegócio que, quando produz alimentos, estes são contaminados por agrotóxicos ou são transgênicos.

10 de novembro de 2014

Poesia de Antônio José Torres

Mais um ano e nova festa e que já é tradição
O que iniciado em 2005, hoje tem grande repercussão
Nossa luta é em prol da vida, por nossas sementes queridas, as sementes da paixão
Iniciada em 2005 no município de Gurjão
Na comunidade Cipriano, não tínhamos grande expansão
Apenas três bancos mais ativos, mas esse não era o motivo pra grande desanimação
Segunda festa em 2006, Soledade sediou
Em 2007 na comunidade Sussuarana, em Juazeirinho realizou
E em 2008 foi em Pedra Lavrada
Em 2009, na comunidade malhada, Olivedos festejou
E o que começou pequeno, foi crescendo de repente
Daquele início significativo com poucos bancos de sementes
Veio mais e muito mais, surgiram vários ideais com sistemas de produção diferentes
Veio a criação animal, fruticultura outra opção,
Roçados e sistemas mistos, aumentando a criação
Leite e plantas medicinais, artesanatos e produtivos quintais
E muitas variedades de sementes da paixão
Atuamos em Pedra Lavrada, município de três ambientes
Cariri, Seridó e Caatinga, e comunidades conscientes
Tem frutas, criação, minério e roçado
Grupos de mulheres e jovens organizados, com atuação envolvente
Em São João do cariri, em vazantes do rio Taperoá
Tem roçado e criação animal e a ameaça é o desmatar
Mas tem conservação de sementes, com participação de muita gente
Que sabe da terra cuidar
E passando por Tenório, de fruteiras e roçados diversificados
Uma ameaça é a extração de minérios, deixando o solo degradado
Mas pra sementes da paixão, há campos de multiplicação
e um estoque bem guardado
Lá em Pocinhos também tem, roçado, frutas e criação animal
Tem uma ameaça forte que é a avicultura industrial
Mas tem associações e cooperativas, que na agricultura são decisivas e sabe o que é prejudicial
De Pocinhos vamos a Cubati, que em assentamento é campeão
Tem roçados diversificados, também diversificam a criação
Mas tem setor ameaçado, resultado do cultivo irrigado do tomate e pimentão
E com forte criação de bovinos e caprinos temos o município de Gurjão
Onde o leite é bastante valorizado, mas existe uma questão
Na produção do leite, a especialização de roças isto é uma ameaça para a nossa atuação
Juazeirinho é atuante na agricultura familiar, com fruteiras, criação e cultivos nos roçados, com mulheres e juventude exemplar
Valorizam a cultura local, o que ameaça e faz mal é a agricultura especializada a se espalhar
E chegando a olivedos com seus produtivos quintais, criação e roçados diversificados, grupos de danças e representações teatrais
Associação e banco de sementes se formando, também tem produção de leite grande, mais rendas é bom demais
Está lá em São Vicente o banco de sementes mais antigo da região
Terra de fruteiras e roçados diversificados, de pequenos animais tem criação
Também produzem nos quintais, produzir assim é bom demais, os arredores de casa é a atração
De São Vicente a Soledade, lugar de organização, tem muitos bancos de sementes e Bodega Agroecológica para comercialização
Se destaca na produção de forragem, tem determinação pra estocagem e cuidados com as Sementes da Paixão
Por tanto caros amigos, de todos os municípios citados aqui em Santo André
Também estamos ligados, temos forte criação de animais
Também temos muito mais paixão por nosso legado
Bem vindos todos vocês a essa festa abrilhantar e as Sementes da Paixão vamos todos preservar
Santo André de braços abertos, recebe de certo nesse evento espetacular

Antônio José Torres

Comunidade Cachoeirinha dos Torres. Soledade - PB

A beleza e a alegria da troca de riquezas na Feira dos Guardiões e Guardiãs das Sementes da Paixão

Como parte da programação da VI Festa Regional das Sementes da Paixão, realizada dia 06 de novembro, na Comunidade São Félix, município de Santo André (PB), a Feira dos Guardiões e Guardiãs das Sementes da Paixão foi um dos espaços da festa, onde as famílias guardiãs da biodiversidade puderam expor e trocar suas experiências, sementes, plantas e produtos.

Atualmente as feiras agroecológicas da agricultura familiar na região do Coletivo Regional do Cariri, Curimataú e Seridó, têm sido mais um espaço estratégico de divulgação, comercialização e fortalecimento das ações da agricultura familiar camponesa no semiárido paraibano. Atualmente são realizadas mensalmente três feiras na região de atuação do Coletivo Regional.

Durante a Feira dos Guardiões e Guardiãs, além das trocas e doações de sementes, plantas, frutas e produtos, uma das especiarias mais procuradas foi o conhecimento das experiências de agricultores e agricultoras. Técnicas e experimentações de conservação, plantio, defensivos, enxertos, plantas medicinais, remédios, receitas, alimentos, de tudo se tinha um pouco.

Um pouco antes do encerramento da programação da festa, o agricultor Carlos, do município de Tenório, encontrou com a agricultora Dona Adailde, da comunidade Caiçara, município de Soledade, e perguntou: “Como a gente faz pra trocar esse seu feijão no feijão preto?”. No mesmo instante, Dona Adailde olhou pra ele, sorriu e apenas disse: “Pode levar! Não precisa me dar nada em troca, eu estou doando esse feijão pra você”.

Observando a cena, o agricultor Francisco, do município de Pocinhos, comentou: “A gente tem essa semente no nosso Banco de Sementes e a gente usa essa prática há muito tempo. Sempre é um prazer poder contribuir com quem não tem ainda”. Seu Francisco, logo em seguida, completa o recado nos doando um pouco de seu conhecimento: “A gente nunca planta todas as sementes que a gente tem guardada de uma vez, sempre deixa uma parte das sementes pra o ano que vem, porque se você plantar toda a semente que tem você corre o risco de um momento ou outro perder toda a semente. Então, plante a metade e guarde a metade, eu aconselho a fazer assim”.

Dona Socorro, agricultora experimentadora do município de Soledade (PB) também participou da festa e levou para a Feira das Sementes da Paixão algumas amostras de suas Paixões. Muito entusiasmada e com um grande sorriso no rosto, ela contou: “Eu trouxe as minhas sementes da paixão: o coentro, o quiabo, a alface, a melancia e o jerimum, que eu planto na minha horta. Também trouxe meu milho Jaboatão, o feijão Garanjão e o Moita Graúdo, que é um feijão bem grande”.

A agricultora disse que desde 2005, quando aconteceu a primeira Festa Regional das Sementes da Paixão, no município de Gurjão, sempre esteve presente em todas: “Pra mim as Sementes da Paixão é uma festa na minha vida, desde que eu comecei a participar dessas reuniões, melhorou minha vida em 100%, porque eu só vivia amoitada com medo de gente, e agora eu não tenho medo mais”.

Além das barracas dos municípios Santo André, Juazeirinho, Gurjão, Soledade, Pocinhos, São João do Cariri, Pedra Lavrada, Tenório, Cubati, Olivedos e Seridó, montadas na feira, encontramos também a barraca da Bodega Agroecológica, o espaço de comercialização dos produtos das famílias agricultoras do Coletivo Regional, situada na cidade de Soledade.

Durante a feira o agricultor e apicultor Aldo, do município Santo André, fez uma apresentação dos equipamentos e técnicas de coleta do mel produzido pelas abelhas. Ao final da sua fala Aldo ainda explicou alguns motivos para não destruir colméias, nem matar abelhas, falando sobre a importância do trabalho desses animais para a polinização das plantas e finalizou: “A abelha não faz mal, ela faz mel!”

Vinda do município de Cubati (PB), a agricultora Vitória disse estar muito feliz por participar mais uma vez da Festa das Sementes da Paixão. Ela aproveitou o momento da feira para trocar algumas de suas sementes: “Eu trouxe várias sementes pra trocar com outras sementes da paixão e troquei o milho que a gente trouxe pelo milho Jaboatão, o feijão coruja pelo feijão azul, e outras. Sempre é bom ter essas trocas, porque às vezes a gente perde uma semente e pode encontrar ela de novo com outra família”.

 Vitória ainda comentou que deseja muito que a próxima Festa Regional das Sementes da Paixão seja realizada no município de Cubati: “Eu já falei, eu quero que a próxima Festa seja em Cubati. Eu até já posso ver o local onde dá pra ela acontecer”. Como Vitória, muitos agricultores e agricultoras voltaram pra suas casas com o sentimento de alegria, realização, e com a expectativa pela realização da Festa Estadual das Sementes da Paixão, prevista para acontecer em 2015.


Por Patrícia Ribeiro
06/11/2014 - Santo André / PB

7 de novembro de 2014

Guardiões e Guardiãs reafirmam luta pela agricultura da vida durante IV Festa Regional das Sementes da Paixão em Santo André-PB


Texto: Áurea Olimpia

Foto: Áurea Olimpia
Mais de 500 pessoas entre agricultores e agricultoras, guardiões e guardiãs das Sementes da Paixão, estudantes de agroecologia, pesquisadores, representantes de entidades de assessoria e lideranças da Rede de Sementes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), estiveram reunidos na IV Festa Regional das Sementes da Paixão, realizada neste dia 06 de novembro, na Comunidade São Félix, no município de Santo André, Cariri Paraibano.

A festa teve como lema: “Resistir às ameaças, cultivando vidas!” e foi realizada em preparação à Festa Estadual das Sementes da Paixão, que acontecerá em 2015. A programação teve início à partir das 7h, com a chegada das caravanas e a montagem da Feira dos Guardiões e Guardiãs, que expuseram e trocaram produtos e experiências da agricultura familiar agroecológica e dos 35 Bancos de Sementes Comunitários do território do Cariri, Curimataú e Seridó, região de atuação do Coletivo.

Teste de transgenia identificou e certificou Sementes da Paixão no Território

Texto: Simone Benevides

Fotos: Áurea Olímpia
Também no decorrer da 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão foi realizado o teste de transgenia que identificou que a maioria das sementes do território são sementes crioulas, ou seja, Sementes da Paixão, como assim são chamadas na Paraíba.

Antecedendo este momento, as famílias agricultoras ainda puderam fazer uma reflexão, que foi assessorada pelo professor do IFPB, Francisco Nogueira, sobre o que são transgênicos e quais são os riscos destes produtos para nossa vida.


Lançamento da Campanha “Luta Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida”.

Texto: Simone Benevides

Foto: Áurea Olímpia
A 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão “Resistir às ameaças, Cultivando vidas” também teve espaço para o lançamento da campanha por um território livre de agrotóxicos. Com o tema “Luta Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” a Comissão Água apresentou um material para ser trabalhado nos espaços políticos e de formação do Coletivo Cariri.

Trata-se de cartazes e folders que servirão de subsídios para a conscientização de todas as famílias agricultoras que lutam por uma agricultura fundamentada na agroecologia.

As mulheres camponesas do Território deram depoimentos falando sobre a experiência de já ter trabalhado com veneno e contaram como a qualidade de vida delas melhorou depois que passaram pelas formações e depois que começaram  a usar defensivos naturais em seus cultivos.

A agricultora Luciana, de Cubati, relatou emocionada sua experiência  “Quando eu trabalhava com veneno em campos de tomates, isso eu devia ter uns 18 anos, comecei a sentir dor de cabeça e na coluna, aquele trabalho estava me matando, 11 anos depois minha saúde estava muito prejudicada. Depois que me envolvi nos trabalhos do Coletivo, que passei a ter formação, aí comecei a me conscientizar dos riscos que eu e minha família corríamos. Foi então, que as lideranças do Coletivo me disseram que eu seria contemplada com uma cisterna, a partir daí minha vida mudou. Comecei a plantar minhas coisas de forma saudável, usando os defensivos naturais. Para me livrar do veneno e livrar minha família desses riscos eu cultivo meu alimento no arredor de casa”.

Já para Quitéria, também de Cubati, o uso do veneno se dá pela falta de conhecimento. “Eu senti vergonha de dizer que usava veneno, quando fui perguntada por pessoas do Coletivo que fizeram uma visita em minha casa. Depois que eles saíram eu comecei a refletir sobre o assunto, aí comecei a participar das reuniões e recebi a cisterna, foi quando entendi os riscos que eu corria. Agora, eu sei que sem o veneno nossa vida só caminha pra frente”.  


Vários tipos de problemas de saúde podem ser desenvolvidos pelo uso do veneno na agricultura (ansiedade, alergias, dores de cabeça e pelo corpo, câncer, etc.) Há também casos de morte comprovados pelo uso de defensivos químicos.  

Durante a 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão agricultores e agricultoras fazem repasse do Fundo Rotativo de Animais


Texto: Simone Benevides

Foto: Áurea Olímpia
Os Fundos Rotativos Solidários (FRS) se consolidam como estratégia de geração de renda das famílias agricultoras e conservação das Sementes da Paixão. Eles se subdividem em vários apoios (telas, animais, bancos de sementes familiares e comunitários, entre outros).
Na ocasião da 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão aconteceu o repasse de animais da comunidade São Félix, em Santo André, local onde aconteceu a festa.
São Félix é apenas umas das comunidades do território da dinâmica do Coletivo Cariri, que inclui 11 municípios, onde acontecem os apoios do FRS.
Durante o evento, foram repassados 7 animais a 3 novas famílias  que foram apoiadas com a iniciativa. Só no município, já foram apoiadas 180 famílias, com 660 animais (ovinos, caprinos e galinhas de capoeira), conservando assim, as raças nativas do Semiárido, conhecidas como sementes animais.

4 de novembro de 2014

6ª Festa Regional das Sementes da Paixão acontece em Santo André, nesta quinta-feira

Os 11 municípios que compõem o Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar e a entidade de Assessoria Técnica e Sócio Organizativa à Agricultura Familiar (Patac), em parceria com a Rede Sementes da Articulação Semiárido Paraibano (ASA PB), realizarão nesta quinta-feira, (06), a 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão, que tem como tema “Resistir às ameaças, Cultivando vidas”. O evento acontecerá no território do Cariri paraibano, na comunidade São Félix, em Santo André.
Cerca de 500 agricultoras e agricultores, guardiãs e guardiões das sementes crioulas, sejam elas de origem vegetal (plantas medicinais, hortaliças, leguminosas, forrageiras, etc.) ou animal (raças nativas e adaptadas), conhecidas na Paraíba por Sementes da Paixão, deverão se reunir para celebrar as conquistas, trocar seus conhecimentos e também para reafirmar a luta por um  território livre de alimentos  transgênicos e agrotóxicos, visto que durante a realização da festa também será lançada a campanha “Luta Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida”.
As Sementes da Paixão também significam o conhecimento tradicional das famílias camponesas, que em toda história da agricultura vêm conservando, resgatando, selecionando e valorizando a agrobiodiversidade adaptada a cada região.
Todas essas experiências vêm a cada dia se consolidando através das diversas práticas, que as famílias agricultoras sabiamente vêm fazendo na  produção e conservação de variedades de sementes,  nos seus Bancos de Sementes Familiares (BSF) e nos últimos anos essas práticas se ampliaram através dos Bancos de Sementes Comunitários (BSC), experiência adotada pelas comunidades para guardar suas sementes de maneira coletiva.
 Só no território de atuação do Coletivo (Cariri, Seridó e Curimataú) estão localizados 35 Bancos de Sementes e apesar do período de estiagem que vivenciamos, entre 2012 e 2014, muitas famílias conseguiram produzir e manter guardadas variedades de sementes, fortalecendo a autonomia da agricultura familiar de base agroecológica, já que não precisam esperar por ações governamentais para realizar seus plantios, além de assegurar que tenham alimentos saudáveis produzidos nas suas propriedades, já que também não plantam sementes transgênicas.
A 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão se realizará como forma de celebrar as conquistas alcançadas pela a agricultura familiar em meio a tantas ameaças.  Durante toda a quinta-feira, dia 6 de novembro, haverá apresentações culturais, debates, feira de produtos da agricultura familiar, oficinas temáticas, testes para identificar sementes transgênicas, trocas conhecimento e de sementes, culminando com a bênção solene das Sementes da Paixão.