31 de março de 2014

MOBILIZAÇÃO ALUSIVA AO DIA MUNDIAL DA ÁGUA CELEBRA CONQUISTAS DOS 21 ANOS DA ARTICULAÇÃO DO SEMIÁRIDO FotoPARAIBANO

Por Áurea Olímpia

Cerca de 1.200 pessoas participaram em Campina Grande, no último dia 28 de março, da “Mobilização pelo acesso à água de qualidade como um direito de todos”, realizada pela Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março. O objetivo da atividade foi ainda o de celebrar as conquistas dos 21 anos de atuação da ASA Paraíba no seu trabalho de construção de um projeto de convivência com o semiárido baseado na agricultura familiar de base agroecológica. A celebração é especialmente a partir da política de acesso a reservatórios de água como as cisternas de placas, além do processo de formação voltado para o manejo sustentável desse recurso natural.
Foto: Simone Benevides
A programação teve início às 8h da manhã, quando as caravanas chegaram das regiões Alto e Médio Sertão, Cariri, Curimataú, Brejo, Agreste e Seridó se concentraram no interior do Teatro Municipal Severino Cabral. O grupo de tradições folclóricas Acauã da Serra animou a chegada dos participantes com músicas emblemáticas da região nordeste e da cultura sertaneja, com o autêntico forró pé de serra. Em seguida foi apresentada uma peça de teatro que mostrou de que forma a chegada da cisterna vem revolucionando a vida no semiárido e como é feito o processo de mobilização e envolvimento das famílias agricultoras.
Exposição – Ainda dentro do teatro houve a exposição feita por Luciano Silveira, da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, uma das 300 entidades que faz parte da ASA Paraíba presentes em mais de 160 municípios paraibanos. Luciano fez uma apresentação da região semiárida brasileira, uma área de aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados onde vivem perto de 2 milhões de famílias agricultoras. Em seguida trouxe um resgate histórico das secas na região e do cenário de calamidade, subordinação e dependência das famílias no acesso a terra, a água e as sementes e as soluções apresentadas pelos governos da época de “combate à seca”.
 Em seguida trouxe um resgate histórico das secas na região e do cenário de calamidade, subordinação e dependência das famílias no acesso à terra, á água e as sementes e as soluções apresentadas pelos governos da época de “combate à seca”. Relembrou a ocupação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) em 1993 que deu origem a Articulação do Semiárido Paraibano e que significou um marco na luta pela autonomia dos agricultores e agricultoras da região. Falou ainda do processo de criação do Programa Um Milhão de Cisternas, da ASA e atualmente executado com recursos do Governo Federal, por meio da parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) que já construiu mais de 600 mil cisternas em todo o semiárido brasileiro.
Cisternas de plástico – Ao final da exposição foram exibidas matérias veiculadas na imprensa com queixas de agricultores de várias regiões sobre problemas apresentados pelas cisternas de plástico como deformações e aquecimento da água. As cisternas de plástico ou PVC estão sendo propostas pelo Ministério da Integração Nacional, por meio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), do Governo Federal. Os agricultores não concordam com a substituição das cisternas de alvenaria pelas de plástico e alegam que, além de funcionar bem, as cisternas de placa trazem oportunidade de trabalho no campo com o emprego de pedreiros e a compra de material no comercio local, dinamizando a economia. Já as cisternas de plástico só beneficiam uma única grande empresa e é uma tecnologia que os agricultores não dominam.
Caminhada – Após a exposição os participantes saíram em caminhada pela Avenida Floriano Peixoto, no centro da cidade organizados em alas que simbolizavam temas estratégicos de atuação da ASA e ameaças como a que simbolizou a “Agronegócio e Cultura da Morte”, que incluiu símbolos do agronegócio, dos transgênicos, dos agrotóxicos e das cisternas de plástico. Segurando faixas, cartazes, banners e produtos da agricultura familiar e acompanhados por um mini trio elétrico e um carro de som, com direito a carro “abre-alas” os manifestantes distribuíram panfletos e dialogaram com a população através das alas do acesso à terra, da educação para a convivência com o semiárido, das sementes, da criação animal, dos pedreiros e das feiras agroecológicas, entre outras. Levando para a cidade uma demonstração da riqueza e das conquistas alcançadas pelo movimento de trabalhadores e trabalhadoras rurais.
A manifestação seguiu até a Praça da Bandeira onde uma feira de experiências com exposição de produtos, maquetes e distribuição de mudas foi montada. Um ato público trouxe depoimentos que resgataram momentos importantes da caminhada de 21 anos de luta da ASA Paraíba e apontaram seus desafios atuais. Rogéria Campos, da coordenação do Coletivo das Organizações da Agricultura Familiar, sediado em Soledade-PB, relembrou a conquista na luta pela afirmação do modelo das cisternas de placas como a tecnologia mais adaptada ao semiárido: “Em maio de 2013 recebemos um convite para compor um comitê gestor das cisternas de plástico no município. Fomos para ouvir, nos posicionamos contra e, com muita luta, conseguimos barrar esse projeto. Em dezembro do ano passado fomos surpreendidos com um novo convite. A gente se organizou e conseguiu pressionar o governo municipal para barrar pela segunda vez e varrer as cisternas de plástico de lá. É bom lembrar que Soledade foi o primeiro município a ter construída uma cisterna de placas na Paraíba, então seria uma vergonha pra nós, se fosse construído lá uma cisterna de plástico”, afirmou.

A programação foi encerrada com uma mística onde os manifestantes fizeram o “enterro simbólico” de uma cisterna de plástico. Os participantes então celebraram o êxito do evento com uma bonita ciranda. A mobilização contou com parceiros como: Núcleo de Extensão Rural e Agroecológica (NERA) e UEPB; e convidados como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

27 de março de 2014

Agricultores/as celebram 21 anos da ASA Paraíba, Dia Mundial da Água e dizem NÃO as Cisternas de Plástico

Foto: Francisco Nogueira
A Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) vai realizar em Campina Grande, amanhã, à partir das 8h, a “Mobilização pelo acesso à água de qualidade como um direito de todos”, em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março. A concentração acontecerá no Teatro Severino Cabral, onde haverá a apresentação do grupo de dança Acauã da Serra no palco do teatro, seguido por um momento de reflexão sobre o tema da mobilização e finalmente, às 10h, os participantes sairão em caminhada pelas ruas centrais de Campina Grande. Acompanhados por um mini - trio elétrico, os manifestantes irão distribuir panfletos, exibir faixas, estandartes, cartazes e painéis evidenciando o modelo de convivência com o Semiárido que a ASA defende e dialogando com a população.

A caminhada sairá pela Avenida Floriano Peixoto seguindo pela Rua Afonso Campos e depois retomando a Floriano Peixoto pela Rua Peregrino de Carvalho, próximo à Feira Central, culminando com um ato público na Praça da Bandeira, no centro da cidade. No local estará montada uma feira com a exposição de produtos e experiências da agricultura familiar agroecológica como hortaliças, sementes, banners, informativos, maquetes, etc. Para a atividade estão sendo esperadas caravanas de diversas regiões do estado, reunindo mais de mil representantes das entidades que fazem parte da ASA Paraíba.

O objetivo do evento é celebrar os 21 anos de história e de lutas para a convivência com o semiárido que as organizações da ASA Paraíba vêm construindo, especialmente a partir da política de acesso a reservatórios de água como as cisternas de placas, além de um processo de formação voltado para o manejo sustentável desse recurso natural. A cisterna (invenção de um agricultor de Sergipe) se tornou em uma política pública graças à mobilização da sociedade civil organizada e vem democratizando o acesso à água em todo o Semiárido. Na região semiárida já foram construídas mais de 600 mil cisternas, só na Paraíba o número chega a 60 mil.

Segunda a coordenação da ASA-PB as cisternas de placas geram autonomia para as famílias camponesas “A gente pode falar em dois tipos de autonomia: uma é a tecnológica, por ser uma implementação que nasce do conhecimento próprio da agricultura camponesa. A outra é livrar os agricultores das garras da política assistencialista que alimenta a ‘Indústria da Seca’. No semiárido água é poder, famílias que eram obrigadas a andar quilômetros em busca do líquido, hoje dispõem dela na porta de casa, é isso que a cisterna de placas faz, empodera as famílias”, afirma Glória Batista, da coordenação executiva da ASA Paraíba. Glória ressalta ainda o aspecto da qualidade da água das cisternas de placas, comprovada por pesquisas: “Em 2010 um estudo da Fiocruz mostrou que a qualidade da água das cisternas de placas reduziu o número de doenças e os índices de mortalidade infantil no meio rural”, completa.

Denúncia - A mobilização objetiva ainda chamar a atenção da sociedade para as cisternas de PVC ou plástico que vem sendo propostas pelo projeto do Ministério da Integração Nacional, por meio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), do Programa Água para Todos, do Governo Federal. Inicialmente a proposta é da instalação de 4.000 cisternas de polietileno em 10 municípios paraibanos: Araruna, Areial, Belém do Brejo do Cruz, Cacimba de Dentro, Dona Inêz, Igaracy, Quixabá, São Sebastião de Lagoa de Roça, Lagoa e Soledade. Neste último município, a população se mobilizou e pressionou a administração municipal a se negar a receber os reservatórios de plástico e a exigir do governo o mesmo número de cisternas de placas.


Diversos sindicatos e organizações de trabalhadores rurais têm protestado contra a decisão tomada por setores do governo federal de substituir as cisternas de placas por unidades de polietileno. Os agricultores alegam que, além de funcionar bem, as cisternas de placa trazem oportunidade de trabalho no campo. Já as cisternas de plástico só beneficiam uma única grande empresa, poluem o meio ambiente e são menos resistentes ao intenso sol do sertão, esquentam excessivamente a água e deformam-se como provam as diversas denúncias publicadas em reportagens na grande mídia e as queixas de vários agricultores. Quando isso acontece, a comunidade fica na dependência de políticos e burocratas para substituí-las, o que leva tempo e alimenta o clientelismo. O contrário acontece com as cisternas de placas: a manutenção é barata e feita imediatamente pela própria comunidade, de forma autônoma.

25 de março de 2014

INTEGRANTE DA REDE ÁGUA DA ASA PARAÍBA CONCEDE ENTREVISTAS SOBRE MOBILIZAÇÃO

Integrante da Rede Água da Asa Paraíba, Antonio Carlos Pires  concedeu entrevistas nas rádios Correio e Cariri em Campina Grande sobre a  “mobilização pelo acesso à água de qualidade como um direito de todos” , que acontecerá no dia 28, nas principais ruas de Campina Grande, a partir das 8h, com concentração no Teatro Severino Cabral e ato público na Praça da Bandeira. O objetivo é celebrar os 21 anos da Asa Paraíba e mobilizar-se contra as Cisternas de PVC...


A caminhada sairá pela Avenida Floriano Peixoto seguindo pela Rua Afonso Campos e depois retomando a Floriano Peixoto pela Rua Peregrino de Carvalho, próximo à Feira Central, culminando com um ato público na Praça da Bandeira, no centro da cidade. No local estará montada uma feira com a exposição de produtos e experiências da agricultura familiar agroecológica como hortaliças, sementes, banners, informativos, maquetes, etc. Para a atividade estão sendo esperadas caravanas de diversas regiões do estado, reunindo mais de mil representantes das entidades que fazem parte da ASA Paraíba.

21 de março de 2014

Agricultora do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar apresenta experiência durante evento do INSA

Quintal Produtivo, assentamento São Domingos, Cubati - PB
A programação alusiva ao Dia Mundial da Água do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) realizou na manhã desta quinta-feira, 20, uma mesa redonda com agricultores experimentadores de várias regiões da Paraíba e de Pernambuco. Na ocasião, a agricultora Sara Maria Constancio, do assentamento  São Domingos, município de Cubati-PB, representou às famílias do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar do Cariri, Curimataú e Seridó, que são assessoradas pelo Patac.
Sara explicou que no início da sua experiência com água servida e quintal produtivo, utilizava a  água do poço comunitário que existe no assentamento, porém, depois de enfrentar o longo período de estiagem, nos últimos dois anos, viu que a quantidade de água servida, que era desperdiçada pela família, poderia ser reutilizada para regar as plantas e hortaliças do seu quintal e foi então que começou a desenvolver a experiência de reuso da água que deu certo, resultando inclusive, na comercialização da sua produção no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Governo Federal.
Os desafios enfrentados foram muitos, relata a agricultora, que iniciou o fornecimento de hortaliças e frutas para o PAA, contra a vontade do seu companheiro, “mas hoje, vendo o resultado do meu esforço, ele é quem mais ajuda e incentiva o meu trabalho, que acaba sendo um trabalho de toda a família”, relatou.
Para a jovem agricultora, “o acesso a terra é o mais importante, pois só há produção se tiver terra”, vindo em seguida às formas adequadas de armazenamento e estocagem de água, “o importante é não deixar a água acabar para poder começar a pensar soluções, mas evitar que ela acabe, tendo sempre em mente formas de aproveitamento”. Os agricultores e agricultoras, assentados ou não, precisam de orientação, de formação, pois além dos saberes passados por gerações, nós precisamos de novas técnicas para sabermos exatamente o que estamos fazendo”, finalizou.


17 de março de 2014

PATAC E COLETIVO PARTICIPAM DE V MARCHA DAS MULHERES DO POLO DA BOBOREMA

Na última sexta-feira, dia 14,  várias entidades da ASA -PB, estiveram presente na V Macha pela Vida das Mulheres e da Agroecologia, que aconteceu na cidade de Massaranduba. O Patac e o  Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar  também se fizeram presentes no grande ato público que teve a participação de mais de 2 mil pessoas,  que a apoiaram a mobilização e incentivaram a denúncia das várias formas de Violência Contra à Mulher...


“Eu quero ser, me deixa ser, o que eu mereço, eu quero ser quem sou, eu tenho meu valor e esse não tem preço”...

10 de março de 2014

Marcha das Mulheres

Mulheres seguem em Marcha em Massaranduba para celebrar o Dia da Mulher, nesta sexta-feira, 14...