17 de dezembro de 2014

Agricultoras e Agricultores Experimentadores avaliam experiências de enfrentamento à seca

Estratégias de convivência com o Semiárido e de enfrentamento aos períodos de estiagem; potencialização de tecnologias de armazenamento de água de beber e para produção de alimentos; valorização e preservação das sementes da Paixão através dos Bancos de Sementes; armazenamento de forragem para criação animal, reutilização da água e estratégias para comercialização dos produtos da agricultura familiar serão temas avaliados nesta quinta-feira (18) e sexta-feira (19), pelo Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar do Cariri, Seridó e Curimataú paraibano.
O encontro acontecerá no Hotel Fazenda Day Camp, localizado na zona rural de Campina Grande, no Sítio Lucas e reunirá cerca de 100 agricultores da região do Cariri, Seridó e Curimataú. A abertura será às 8h30 desta quinta-feira e terá a participação das agricultoras e agricultores que experimentam e trocam conhecimentos sobre ações desenvolvidas em suas propriedades para enfrentar os desafios nos períodos de estiagem prolongados, como os dos últimos 3 anos.

Diante dessa discussão será feito um levantamento das ações e a análise de como estas têm se apresentado no fortalecimento  da agricultura  familiar de base agroecológica e na proposta de convivência com a região do Território do Cariri.
Segundo a coordenação do Coletivo serão avaliados lições e aprendizados que cada município vivenciou como forma de resistência e de enfrentamento a estiagem. Além disso, dois novos temas perpassarão as discussões: O Protagonismo Juvenil no Território e a Comunicação como estratégia política de fortalecimento das ações.

A organização (Coletivo) também conta com a parceria da Entidade de Assessoria Técnica  e Sócio-Organizativa (Patac) e também integra a Rede da Articulação Semiárido Paraibano ( Asa PB). 

Simone Benevides
Comunicadora Patac/ASA

12 de dezembro de 2014

Esterqueira - inovação tecnológica desenvolvida por família agricultoras é tema de intercâmbio em Areial

Na manhã de hoje (11), cerca de 20 agricultores e agricultoras do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar e do Polo da Borborema participaram de uma visita de intercâmbio sobre manejo da fertilidade do solo e da produção de adubo orgânico, a partir do uso de esterqueira, no município de Areial, Paraíba.

No intercâmbio os visitantes conheceram as experiências da família de Carlos Marcelino (conhecido como Carlinhos) e Josélia da Silva, no sítio Furnas e da família de Maria Aparecida e José Nivaldo (conhecido como Niva), no Sítio Arara.

27 de novembro de 2014

Rede de Organizações da Agricultura Familiar celebra 15 anos de atuação no Semiárido Brasileiro

Foto: Asa PB
“Ampliar a Resistência e Fortalecer a Convivência” foi com esse lema que a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) celebrou na manhã desta quarta-feira, 26, seus 15 anos de atuação nos estados do Nordeste e parte do estado de Minas Gerais, trabalhando pelo fortalecimento da Agricultura Familiar de base agroecológica.

Em todo Brasil, entre às 10h e 12h, várias mobilizações relâmpagos (Flash Mobs) aconteceram para dar visibilidade às ações de convivência da ASA. A iniciativa dialogou com a população urbana, convidando homens e mulheres a fazerem uma reflexão a partir das temáticas “Água como Alimento e Água para a Produção de Alimentos”, na perspectiva de se pensar os modelos de agricultura, um que produz alimentos saudáveis, e outro, associado ao agronegócio que, quando produz alimentos, estes são contaminados por agrotóxicos ou são transgênicos.

10 de novembro de 2014

Poesia de Antônio José Torres

Mais um ano e nova festa e que já é tradição
O que iniciado em 2005, hoje tem grande repercussão
Nossa luta é em prol da vida, por nossas sementes queridas, as sementes da paixão
Iniciada em 2005 no município de Gurjão
Na comunidade Cipriano, não tínhamos grande expansão
Apenas três bancos mais ativos, mas esse não era o motivo pra grande desanimação
Segunda festa em 2006, Soledade sediou
Em 2007 na comunidade Sussuarana, em Juazeirinho realizou
E em 2008 foi em Pedra Lavrada
Em 2009, na comunidade malhada, Olivedos festejou
E o que começou pequeno, foi crescendo de repente
Daquele início significativo com poucos bancos de sementes
Veio mais e muito mais, surgiram vários ideais com sistemas de produção diferentes
Veio a criação animal, fruticultura outra opção,
Roçados e sistemas mistos, aumentando a criação
Leite e plantas medicinais, artesanatos e produtivos quintais
E muitas variedades de sementes da paixão
Atuamos em Pedra Lavrada, município de três ambientes
Cariri, Seridó e Caatinga, e comunidades conscientes
Tem frutas, criação, minério e roçado
Grupos de mulheres e jovens organizados, com atuação envolvente
Em São João do cariri, em vazantes do rio Taperoá
Tem roçado e criação animal e a ameaça é o desmatar
Mas tem conservação de sementes, com participação de muita gente
Que sabe da terra cuidar
E passando por Tenório, de fruteiras e roçados diversificados
Uma ameaça é a extração de minérios, deixando o solo degradado
Mas pra sementes da paixão, há campos de multiplicação
e um estoque bem guardado
Lá em Pocinhos também tem, roçado, frutas e criação animal
Tem uma ameaça forte que é a avicultura industrial
Mas tem associações e cooperativas, que na agricultura são decisivas e sabe o que é prejudicial
De Pocinhos vamos a Cubati, que em assentamento é campeão
Tem roçados diversificados, também diversificam a criação
Mas tem setor ameaçado, resultado do cultivo irrigado do tomate e pimentão
E com forte criação de bovinos e caprinos temos o município de Gurjão
Onde o leite é bastante valorizado, mas existe uma questão
Na produção do leite, a especialização de roças isto é uma ameaça para a nossa atuação
Juazeirinho é atuante na agricultura familiar, com fruteiras, criação e cultivos nos roçados, com mulheres e juventude exemplar
Valorizam a cultura local, o que ameaça e faz mal é a agricultura especializada a se espalhar
E chegando a olivedos com seus produtivos quintais, criação e roçados diversificados, grupos de danças e representações teatrais
Associação e banco de sementes se formando, também tem produção de leite grande, mais rendas é bom demais
Está lá em São Vicente o banco de sementes mais antigo da região
Terra de fruteiras e roçados diversificados, de pequenos animais tem criação
Também produzem nos quintais, produzir assim é bom demais, os arredores de casa é a atração
De São Vicente a Soledade, lugar de organização, tem muitos bancos de sementes e Bodega Agroecológica para comercialização
Se destaca na produção de forragem, tem determinação pra estocagem e cuidados com as Sementes da Paixão
Por tanto caros amigos, de todos os municípios citados aqui em Santo André
Também estamos ligados, temos forte criação de animais
Também temos muito mais paixão por nosso legado
Bem vindos todos vocês a essa festa abrilhantar e as Sementes da Paixão vamos todos preservar
Santo André de braços abertos, recebe de certo nesse evento espetacular

Antônio José Torres

Comunidade Cachoeirinha dos Torres. Soledade - PB

A beleza e a alegria da troca de riquezas na Feira dos Guardiões e Guardiãs das Sementes da Paixão

Como parte da programação da VI Festa Regional das Sementes da Paixão, realizada dia 06 de novembro, na Comunidade São Félix, município de Santo André (PB), a Feira dos Guardiões e Guardiãs das Sementes da Paixão foi um dos espaços da festa, onde as famílias guardiãs da biodiversidade puderam expor e trocar suas experiências, sementes, plantas e produtos.

Atualmente as feiras agroecológicas da agricultura familiar na região do Coletivo Regional do Cariri, Curimataú e Seridó, têm sido mais um espaço estratégico de divulgação, comercialização e fortalecimento das ações da agricultura familiar camponesa no semiárido paraibano. Atualmente são realizadas mensalmente três feiras na região de atuação do Coletivo Regional.

Durante a Feira dos Guardiões e Guardiãs, além das trocas e doações de sementes, plantas, frutas e produtos, uma das especiarias mais procuradas foi o conhecimento das experiências de agricultores e agricultoras. Técnicas e experimentações de conservação, plantio, defensivos, enxertos, plantas medicinais, remédios, receitas, alimentos, de tudo se tinha um pouco.

Um pouco antes do encerramento da programação da festa, o agricultor Carlos, do município de Tenório, encontrou com a agricultora Dona Adailde, da comunidade Caiçara, município de Soledade, e perguntou: “Como a gente faz pra trocar esse seu feijão no feijão preto?”. No mesmo instante, Dona Adailde olhou pra ele, sorriu e apenas disse: “Pode levar! Não precisa me dar nada em troca, eu estou doando esse feijão pra você”.

Observando a cena, o agricultor Francisco, do município de Pocinhos, comentou: “A gente tem essa semente no nosso Banco de Sementes e a gente usa essa prática há muito tempo. Sempre é um prazer poder contribuir com quem não tem ainda”. Seu Francisco, logo em seguida, completa o recado nos doando um pouco de seu conhecimento: “A gente nunca planta todas as sementes que a gente tem guardada de uma vez, sempre deixa uma parte das sementes pra o ano que vem, porque se você plantar toda a semente que tem você corre o risco de um momento ou outro perder toda a semente. Então, plante a metade e guarde a metade, eu aconselho a fazer assim”.

Dona Socorro, agricultora experimentadora do município de Soledade (PB) também participou da festa e levou para a Feira das Sementes da Paixão algumas amostras de suas Paixões. Muito entusiasmada e com um grande sorriso no rosto, ela contou: “Eu trouxe as minhas sementes da paixão: o coentro, o quiabo, a alface, a melancia e o jerimum, que eu planto na minha horta. Também trouxe meu milho Jaboatão, o feijão Garanjão e o Moita Graúdo, que é um feijão bem grande”.

A agricultora disse que desde 2005, quando aconteceu a primeira Festa Regional das Sementes da Paixão, no município de Gurjão, sempre esteve presente em todas: “Pra mim as Sementes da Paixão é uma festa na minha vida, desde que eu comecei a participar dessas reuniões, melhorou minha vida em 100%, porque eu só vivia amoitada com medo de gente, e agora eu não tenho medo mais”.

Além das barracas dos municípios Santo André, Juazeirinho, Gurjão, Soledade, Pocinhos, São João do Cariri, Pedra Lavrada, Tenório, Cubati, Olivedos e Seridó, montadas na feira, encontramos também a barraca da Bodega Agroecológica, o espaço de comercialização dos produtos das famílias agricultoras do Coletivo Regional, situada na cidade de Soledade.

Durante a feira o agricultor e apicultor Aldo, do município Santo André, fez uma apresentação dos equipamentos e técnicas de coleta do mel produzido pelas abelhas. Ao final da sua fala Aldo ainda explicou alguns motivos para não destruir colméias, nem matar abelhas, falando sobre a importância do trabalho desses animais para a polinização das plantas e finalizou: “A abelha não faz mal, ela faz mel!”

Vinda do município de Cubati (PB), a agricultora Vitória disse estar muito feliz por participar mais uma vez da Festa das Sementes da Paixão. Ela aproveitou o momento da feira para trocar algumas de suas sementes: “Eu trouxe várias sementes pra trocar com outras sementes da paixão e troquei o milho que a gente trouxe pelo milho Jaboatão, o feijão coruja pelo feijão azul, e outras. Sempre é bom ter essas trocas, porque às vezes a gente perde uma semente e pode encontrar ela de novo com outra família”.

 Vitória ainda comentou que deseja muito que a próxima Festa Regional das Sementes da Paixão seja realizada no município de Cubati: “Eu já falei, eu quero que a próxima Festa seja em Cubati. Eu até já posso ver o local onde dá pra ela acontecer”. Como Vitória, muitos agricultores e agricultoras voltaram pra suas casas com o sentimento de alegria, realização, e com a expectativa pela realização da Festa Estadual das Sementes da Paixão, prevista para acontecer em 2015.


Por Patrícia Ribeiro
06/11/2014 - Santo André / PB

7 de novembro de 2014

Guardiões e Guardiãs reafirmam luta pela agricultura da vida durante IV Festa Regional das Sementes da Paixão em Santo André-PB


Texto: Áurea Olimpia

Foto: Áurea Olimpia
Mais de 500 pessoas entre agricultores e agricultoras, guardiões e guardiãs das Sementes da Paixão, estudantes de agroecologia, pesquisadores, representantes de entidades de assessoria e lideranças da Rede de Sementes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), estiveram reunidos na IV Festa Regional das Sementes da Paixão, realizada neste dia 06 de novembro, na Comunidade São Félix, no município de Santo André, Cariri Paraibano.

A festa teve como lema: “Resistir às ameaças, cultivando vidas!” e foi realizada em preparação à Festa Estadual das Sementes da Paixão, que acontecerá em 2015. A programação teve início à partir das 7h, com a chegada das caravanas e a montagem da Feira dos Guardiões e Guardiãs, que expuseram e trocaram produtos e experiências da agricultura familiar agroecológica e dos 35 Bancos de Sementes Comunitários do território do Cariri, Curimataú e Seridó, região de atuação do Coletivo.

Teste de transgenia identificou e certificou Sementes da Paixão no Território

Texto: Simone Benevides

Fotos: Áurea Olímpia
Também no decorrer da 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão foi realizado o teste de transgenia que identificou que a maioria das sementes do território são sementes crioulas, ou seja, Sementes da Paixão, como assim são chamadas na Paraíba.

Antecedendo este momento, as famílias agricultoras ainda puderam fazer uma reflexão, que foi assessorada pelo professor do IFPB, Francisco Nogueira, sobre o que são transgênicos e quais são os riscos destes produtos para nossa vida.


Lançamento da Campanha “Luta Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida”.

Texto: Simone Benevides

Foto: Áurea Olímpia
A 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão “Resistir às ameaças, Cultivando vidas” também teve espaço para o lançamento da campanha por um território livre de agrotóxicos. Com o tema “Luta Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” a Comissão Água apresentou um material para ser trabalhado nos espaços políticos e de formação do Coletivo Cariri.

Trata-se de cartazes e folders que servirão de subsídios para a conscientização de todas as famílias agricultoras que lutam por uma agricultura fundamentada na agroecologia.

As mulheres camponesas do Território deram depoimentos falando sobre a experiência de já ter trabalhado com veneno e contaram como a qualidade de vida delas melhorou depois que passaram pelas formações e depois que começaram  a usar defensivos naturais em seus cultivos.

A agricultora Luciana, de Cubati, relatou emocionada sua experiência  “Quando eu trabalhava com veneno em campos de tomates, isso eu devia ter uns 18 anos, comecei a sentir dor de cabeça e na coluna, aquele trabalho estava me matando, 11 anos depois minha saúde estava muito prejudicada. Depois que me envolvi nos trabalhos do Coletivo, que passei a ter formação, aí comecei a me conscientizar dos riscos que eu e minha família corríamos. Foi então, que as lideranças do Coletivo me disseram que eu seria contemplada com uma cisterna, a partir daí minha vida mudou. Comecei a plantar minhas coisas de forma saudável, usando os defensivos naturais. Para me livrar do veneno e livrar minha família desses riscos eu cultivo meu alimento no arredor de casa”.

Já para Quitéria, também de Cubati, o uso do veneno se dá pela falta de conhecimento. “Eu senti vergonha de dizer que usava veneno, quando fui perguntada por pessoas do Coletivo que fizeram uma visita em minha casa. Depois que eles saíram eu comecei a refletir sobre o assunto, aí comecei a participar das reuniões e recebi a cisterna, foi quando entendi os riscos que eu corria. Agora, eu sei que sem o veneno nossa vida só caminha pra frente”.  


Vários tipos de problemas de saúde podem ser desenvolvidos pelo uso do veneno na agricultura (ansiedade, alergias, dores de cabeça e pelo corpo, câncer, etc.) Há também casos de morte comprovados pelo uso de defensivos químicos.  

Durante a 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão agricultores e agricultoras fazem repasse do Fundo Rotativo de Animais


Texto: Simone Benevides

Foto: Áurea Olímpia
Os Fundos Rotativos Solidários (FRS) se consolidam como estratégia de geração de renda das famílias agricultoras e conservação das Sementes da Paixão. Eles se subdividem em vários apoios (telas, animais, bancos de sementes familiares e comunitários, entre outros).
Na ocasião da 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão aconteceu o repasse de animais da comunidade São Félix, em Santo André, local onde aconteceu a festa.
São Félix é apenas umas das comunidades do território da dinâmica do Coletivo Cariri, que inclui 11 municípios, onde acontecem os apoios do FRS.
Durante o evento, foram repassados 7 animais a 3 novas famílias  que foram apoiadas com a iniciativa. Só no município, já foram apoiadas 180 famílias, com 660 animais (ovinos, caprinos e galinhas de capoeira), conservando assim, as raças nativas do Semiárido, conhecidas como sementes animais.

4 de novembro de 2014

6ª Festa Regional das Sementes da Paixão acontece em Santo André, nesta quinta-feira

Os 11 municípios que compõem o Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar e a entidade de Assessoria Técnica e Sócio Organizativa à Agricultura Familiar (Patac), em parceria com a Rede Sementes da Articulação Semiárido Paraibano (ASA PB), realizarão nesta quinta-feira, (06), a 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão, que tem como tema “Resistir às ameaças, Cultivando vidas”. O evento acontecerá no território do Cariri paraibano, na comunidade São Félix, em Santo André.
Cerca de 500 agricultoras e agricultores, guardiãs e guardiões das sementes crioulas, sejam elas de origem vegetal (plantas medicinais, hortaliças, leguminosas, forrageiras, etc.) ou animal (raças nativas e adaptadas), conhecidas na Paraíba por Sementes da Paixão, deverão se reunir para celebrar as conquistas, trocar seus conhecimentos e também para reafirmar a luta por um  território livre de alimentos  transgênicos e agrotóxicos, visto que durante a realização da festa também será lançada a campanha “Luta Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida”.
As Sementes da Paixão também significam o conhecimento tradicional das famílias camponesas, que em toda história da agricultura vêm conservando, resgatando, selecionando e valorizando a agrobiodiversidade adaptada a cada região.
Todas essas experiências vêm a cada dia se consolidando através das diversas práticas, que as famílias agricultoras sabiamente vêm fazendo na  produção e conservação de variedades de sementes,  nos seus Bancos de Sementes Familiares (BSF) e nos últimos anos essas práticas se ampliaram através dos Bancos de Sementes Comunitários (BSC), experiência adotada pelas comunidades para guardar suas sementes de maneira coletiva.
 Só no território de atuação do Coletivo (Cariri, Seridó e Curimataú) estão localizados 35 Bancos de Sementes e apesar do período de estiagem que vivenciamos, entre 2012 e 2014, muitas famílias conseguiram produzir e manter guardadas variedades de sementes, fortalecendo a autonomia da agricultura familiar de base agroecológica, já que não precisam esperar por ações governamentais para realizar seus plantios, além de assegurar que tenham alimentos saudáveis produzidos nas suas propriedades, já que também não plantam sementes transgênicas.
A 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão se realizará como forma de celebrar as conquistas alcançadas pela a agricultura familiar em meio a tantas ameaças.  Durante toda a quinta-feira, dia 6 de novembro, haverá apresentações culturais, debates, feira de produtos da agricultura familiar, oficinas temáticas, testes para identificar sementes transgênicas, trocas conhecimento e de sementes, culminando com a bênção solene das Sementes da Paixão. 

30 de outubro de 2014

Organizações da Agricultura Familiar realizarão 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão

Os 11 municípios que compõem o Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar e a entidade de assessoria técnica e sócio organizativa à agricultura familiar (Patac), em parceria com a Rede Sementes da Articulação Semiárido Paraibano (ASA PB), estão em plena mobilização para realização da 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão, que tem como tema “Resistir às ameaças, Cultivando vidas” e acontecerá no território do Cariri Paraibano, na próxima quinta-feira, dia 06 de novembro, na comunidade São Félix, em Santo André.
Cerca de 500 agricultoras e agricultores, guardiãs e guardiões das sementes crioulas sejam elas de origem vegetal (plantas medicinais, hortaliças, leguminosas, forrageiras, etc.) ou animal (raças nativas e adaptadas), conhecidas na Paraíba por Sementes da Paixão, deverão se reunir para celebrar as conquistas e trocar seus conhecimentos sobre as Sementes e também para reafirmar a luta por um  território livre de alimentos  transgênicos e agrotóxicos, visto que durante a realização da festa também será lançada a campanha “Luta Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida”.
As Sementes da Paixão também significam o conhecimento tradicional das famílias camponesas, que em toda história da agricultura vêm conservando, resgatando, selecionando e valorizando a agrobiodiversidade adaptada a cada região.
Todas essas experiências vêm a cada dia se consolidando através das diversas práticas, que as famílias agricultoras sabiamente vêm fazendo na  produção e conservação de variedades de sementes,  nos seus bancos de sementes familiares e nos últimos anos essas práticas se ampliaram através dos Bancos de Sementes Comunitários (BSC), experiência adotada pelas comunidades para guardar suas sementes de maneira coletiva.
 Só no território de atuação do Coletivo (Cariri, Seridó e Curimataú) estão localizados 35 Bancos de Sementes, eles surgem como estratégia das famílias agricultoras de conservação e reprodução desse patrimônio, fortalecendo a autonomia da agricultura familiar de base agroecológica, já que não precisam esperar por ações governamentais para realizar seus plantios, além de assegurar que tenham alimentos saudáveis produzidos nas suas propriedades, já que também não plantam sementes transgênicas.
Apesar do período de estiagem que vivenciamos, entre 2012 e 2014, muitas famílias conseguiram produzir e manter guardadas variedades de sementes nos seus bancos familiares e comunitários, conservando espécies vegetais e animais.

A 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão se realizará como forma de celebrar as conquistas alcançadas pela a agricultura familiar em meio a tantas ameaças.  Durante toda a quinta-feira, dia 6 de novembro, haverá apresentações culturais, debates, feira de produtos da agricultura familiar, oficinas temáticas, testes para identificar sementes transgênicas, trocas conhecimento e de sementes, culminando com a bênção solene das Sementes da Paixão. 

7 de outubro de 2014

Contagem regressiva: 30 dias para a VI Festa Regional das Sementes da Paixão

Faltando exatamente 30 dias para a VI Festa Regional das Sementes da Paixão, o Coletivo Regional, juntamente com o Patac e representantes da Comissão Municipal de Santo André, município que sediará o evento, se reuniram nesta segunda (06), para avaliar e reorganizar os preparativos para realização da Festa.

A comunidade está muito otimista e animada com a aproximação do dia 06 de novembro. Decoraram o espaço da reunião com fechos de forragens, garrafas de sementes, folhas, flores e a frase “VI Festa das Sementes da Paixão”, desenhada com sementes da paixão.

Na oportunidade o grupo visualizou o espaço onde será realizada a festa. Também revisaram a programação e algumas questões relacionadas a infraestrutura. Tudo está sendo pensado com muito carinho e atenção dos mínimos detalhes para que tenhamos uma linda festa.

Dentro das atividades previstas, acontecerá um momento de formação muito especial, na parte da manhã, a apresentação de uma peça teatral, organizada pelos jovens do Coletivo Regional.

Após a apresentação os participantes terão a oportunidade de dialogar um pouco mais sobre as inúmeras ameaças do agronegócio para a agricultura familiar na região, os ensinamentos trazidos pela peça, assim como, sobre as estratégias que as famílias agricultoras vêm fazendo para resistir a essas ameaças e conviver com a soberania do território.

Além desse momento de formação, à tarde está cheia de atrações interessantes, como: a Feira de Trocas Solidárias da Agricultura Camponesa, apresentações culturais, oficinas temáticas, entre outras atividades. Durante o evento ainda está sendo previsto o lançamento da Campanha “Luta permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida”. Mais uma ação de denúncia e combate ao uso de agrotóxicos, adubos químicos, transgênicos, etc.


As famílias camponesas da região do Cariri, Curimataú e Seridó paraibano acreditam que é possível construirmos um planeta mais justo e saudável. Somente através da luta permanente contra esse modelo de desenvolvimento destruidor, teremos a possibilidade de uma vida verdadeiramente saudável, em equilíbrio com a natureza e assim garantir a continuidade da biodiversidade do semiárido para as futuras gerações.


Patrícia Ribeiro
Santo André (PB)

3 de outubro de 2014

Famílias Camponesas do Semiárido Paraibano reafirmam ações de luta pela conservação das Sementes da Paixão

Nesta última quarta-feira (01.10) quase 70 lideranças agricultoras das regiões do Cariri, Seridó e Curimataú Paraibano, participaram de mais uma atividade pedagógica sobre o papel dos Guardiões das Sementes da Paixão para fortalecimento da Agricultura Familiar Camponesa em preparação para a 6ª Festa Regional das Sementes da Paixão. A 6ª Festa Regional será realizada dia 06 de novembro, na comunidade São Felix, município de Santo André (PB), tendo como tema “Resistir as ameaças, cultivando vidas!” tem como perspectiva receber mais de 500 agricultores e agricultoras.

30 de setembro de 2014

Está chegando a VI Festa Regional das Sementes da Paixão!


Dia 06 de novembro, deste ano, será realizada a VI Festa Regional das Sementes da Paixão, na região do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar no Cariri, Curimataú e Seridó Paraibano, em parceria com o Patac.

As Sementes da Paixão, representam as sementes crioulas, animais, plantas medicinais e o conhecimento tradicional das famílias do semiárido brasileiro, patrimônio genético de diversos povos que ao longo dos tempos vêm conservando, resgatando, selecionando e valorizando a agrobiodiversidade adaptada a cada região.

Desde a última festa regional, ocorrida em 2009, o processo de mobilização e articulação para das comunidades da região caminha a todo vapor. Inúmeras reuniões, formações, ensaios teatrais, músicas e demais surpresas estão sendo organizados com muito carinho e atenção por todos que compõe essa equipe e principalmente pelas famílias da comunidade São Félix, no município de Santo André (PB), local onde a Festa será realizada.

A realização da VI Festa será mais uma celebração que integra esse processo de identificação, sistematização e divulgação das experiências de famílias agricultoras e grupos comunitários orientadas pelos princípios da Agroecologia.

25 de setembro de 2014

Mulheres agricultoras transformam suas vidas no Semiárido brasileiro

“Queria ser poetisa pra tudo poder escrever
Em rima, versos, cordéis, que todos pudessem ler
E dar boas gargalhadas na alegria de viver
Hoje eu quero escrever, sobre um bicho em extinção
Era muito autoritário, de leste, oeste e Sertão
Com desculpa esfarrapada desde o tempo de Adão
Uma cultura que houve sem Deus e a criação
Quando a desobediência fez cair em tentação
Os dois comeram os frutos, mas o que disse Adão?
Foi a mulher quem me deu, ela quem primeiro viu!
Jogou toda a culpa em Eva, foi um verdadeiro Biu.
Eva não se defendeu e toda a culpa assumiu”.

Luzia Bezerra da Silva, Itatuba, Paraíba.

É também através dos versos, como este acima, que dona Lita, como é conhecida a agricultora Luzia Bezerra Silva, da comunidade Serra Velha, em Itatiuba, na Paraíba, reflete sobre a situação de opressão que muitas mulheres ainda sofrem e a importância de que elas não se deixem ser tomadas por essa situação. Reflexão também feita pela agricultora Maria Madalena Oliveira Leite, de Montes Claros, em Minas Gerais, conhecida como dona Nenzinha. “A gente às vezes trabalha mais que os homens porque sabemos que o que a gente faz hoje não é só ajuda, a gente trabalha em tudo. Tem gente que diz que mulher é fraca, mas não tem isso de fraqueza não, mulher é forte e inteligente”, diz.
Mulheres como dona Lita e dona Nezinha conhecem seus direitos e passam a se reconhecer como agricultoras experimentadoras e protagonistas da construção da convivência com o Semiárido. Mas nem sempre foi assim e os desafios ainda são muitos para serem superados. No entanto, esse cenário vem mudando, e isso se dá pela iniciativa e luta das próprias mulheres do Semiárido. “As agricultoras experimentadoras são referências que já tiveram vidas negadas, mas que foram quebrando a negação e descobrindo o mundo a partir do conhecimento delas que são hoje experimentadoras, são guerreiras do Semiárido e suas histórias são importantes para outras mulheres”, explica Cristina Nascimento, coordenadora da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) pelo estado do Ceará.

A luta diária das mulheres na construção e desenvolvimento de suas regiões não é nova, nem de agora. As mulheres sempre tiveram um papel importante na construção da sociedade. No Semiárido, por exemplo, elas sempre foram as principais responsáveis pela garantia da água e alimentação da família. Era das mulheres o trabalho de buscar água nos barreiros e açudes, muitas vezes acompanhada das crianças, enquanto os homens trabalhavam no roçado. Essa realidade do Semiárido tem se transformado, principalmente pela organização das agricultoras e agricultores da região e de organizações da sociedade civil que tem convivido com o Semiárido ao invés de combater à seca. Esse processo tem colocado em prática, por exemplo, a ação da ASA, de descentralização e estocagem da água na região, a partir de tecnologias sociais, como as cisternas de placas, e da valorização do conhecimento das agricultoras e agricultores. “É importante pensar a perspectiva da mulher e de sua importância para a o Semiárido, mas também de extrapolar a relação da importância a partir apenas das tecnologias, de pensar na relação das pessoas com o seu lugar. As mulheres no seu processo produtivo muitas vezes não são reconhecidas. Tem jornadas triplas de trabalho, pois acordam mais cedo, cuidam do quintal, da casa, do roçado, dos animais e às vezes elas mesmas não enxergam tudo isso como trabalho”, pontua Cristina.

Com essa nova realidade, as mulheres continuam exercendo um importante papel no desenvolvimento da região. Experimentam formas e práticas de convivência com o Semiárido a partir de sua produção, do beneficiamento dos alimentos, da comercialização, e percebem a importância de sua organização. “Elas vão percebendo seus conhecimentos e experiências que passam de geração em geração. Quando chegam as inovações de tecnologias, como a primeira água para consumo e a segunda água para produção de alimentos, isso se conecta com as experiências e conhecimentos das mulheres e causa mudanças incríveis para a vida delas”, diz Glória Araújo, coordenadora da ASA pelo estado da Paraíba.

O quintal das casas é um dos lugares em que as mulheres estão mais presentes, é neles que as mulheres experimentam suas práticas e inovações. Plantas medicinais, hortaliças, pequenos animais, flores, entre outras produções compõem os quintais. Mas elas não trabalham apenas nesse arredor de casa enquanto se faz o almoço. Elas trabalham e se dedicam ao quintal também porque buscam os alimentos saudáveis para toda a família, porque tem esse cuidado com a alimentação. “Eu fico feliz em saber que toda a minha família tem uma alimentação saudável, mas não só a gente, mas minha comunidade, minhas vizinhas, minhas amigas da cidade que compram minhas hortaliças”, conta dona Lita.


Mas para conquistar essa felicidade em partilhar sua produção, dona Lita teve que lutar contra muitas adversidades. E foi experimentando, através de um sistema de irrigação por gravidade, que ela mesma produziu, e com a água armazenada na cisterna-enxurrada, que passou a produzir suas hortaliças e a partilhar com as vizinhas, até enxergar o potencial de comercialização que tinha. Mas teve que driblar o preconceito do marido, que não queria ver a mulher na feira, que para ele era lugar que só tinha homem. “Ele é cortador de carne e tem um box na feira. Um dia peguei meus sacos cheios de hortaliças, pedi pra minha menina fazer um cartaz com o nome produtos orgânicos e cheguei lá. Ele disse que eu num ia fazer isso, mas eu devagarzinho comecei a vender. Hoje ele também vende as hortaliças na feira”, conta dona Lita, exemplificando que o preconceito com o trabalho da mulher ainda é muito forte.

A experimentação vem da prática, mas não só da agricultura. As agricultoras não só inovam buscando formas de conviver com o Semiárido através da produção, mas também experimentam do ponto de vista da organização. “Todas as conquistas que tivemos no campo das políticas e direitos foram a partir da luta das mulheres. É importante refletir com elas da importância do espaço coletivo. Elas se encontram, elas veem que o problema de uma é de outra. Se junta em torno de uma causa que não é minha é da outra. O espaço coletivo é fundamental para a reafirmação dos direitos a exigência de efetivação de direitos”, relata Cristina.

Para a agricultora Luciana da Silva, do Rio Grande do Norte, a organização contribui e fortalece os processos produtivos. “Eu casei com 14 anos e a vida só começou a melhorar quando eu entrei e me organizei na associação. Porque aprendi com as outras mulheres como é importante nós estarmos em todos os espaços produtivos da propriedade criando e experimentando: na horta, no roçado e na criação. Depois que comecei a dominar a produção a vida melhorou muito passamos a cultivar para comer e comercializar”, Luciana da Silva, agricultora do Rio Grande do Norte.

A troca de conhecimentos entre as agricultoras é muitas vezes o estímulo às experimentações e ao processo organizativo. Os momentos de intercâmbios de experiências, por exemplo, metodologia usada pela ASA, contribui para o fortalecimento desse conhecimento. “A gente vai fazendo os intercâmbios, vai trocando as experiências e vai colocando em prática, vai experimentando. É por isso que a gente é agricultora experimentadora”, conclui dona Nenzinha.

Para Glória, os intercâmbios são momentos de diálogo de agricultora pra agricultora em que se enxerga a força do que está fazendo. “Essa troca busca também o aperfeiçoamento daquilo que elas estão inovando, seja no manejo da água, na criação de animais, em como lidar com os períodos de estiagem. Trocam conhecimento da valorização do patrimônio genético do Semiárido brasileiro, como com as sementes. Muitas são guardiãs e não se percebem, elas vão se sentindo fortalecidas a partir do diálogo de agricultora pra agricultora”, explica Glória.

Encontro Nacional - Mais de 100 mulheres agricultoras de todos os estados do Semiárido estiveram reunidas nos dias 23 e 24, em Lagoa Seca, na Paraíba, durante o I Encontro Nacional de Agricultoras Experimentadoras, com o lema Celebrando conquistas na trajetória da ASA. O objetivo do encontro era de valorizar e dar visibilidade ao conhecimento e as capacidades das mulheres agricultoras e suas formas de inserção na organização do trabalho da agricultura familiar, além de construir coletivamente caminhos para superação das situações de desigualdade. As agricultoras voltam para suas comunidades após o encontro mais fortalecidas e com novos conhecimentos, a partir da troca de experiências que vivenciaram.

Catarina de Angola – Asacom

Com a colaboração de Mariana Reis e Monyse Ravena

19 de setembro de 2014

Papel da mulher na Agricultura Familiar será tema do I Encontro Nacional de Agricultoras - Experimentadoras em Lagoa Seca


Mais de 100 mulheres agricultoras de todos os estados do Semiárido se encontrarão na próxima terça (23) e quarta (24), no Convento Ipuarana, em Lagoa Seca,  durante o I Encontro Nacional de Agricultoras Experimentadoras da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).  O  lema do encontro será: “Celebrando conquistas na trajetória da ASA”.
A ASA que comemora 15 anos de trajetória no Brasil é uma rede que agrega mais de três mil organizações que trabalham para o desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida brasileira.
 O objetivo do encontro é valorizar e dar visibilidade ao conhecimento e as capacidades das mulheres agricultoras e suas formas de inserção na organização do trabalho da agricultura familiar, além de construir coletivamente caminhos para superação das situações de desigualdade.

Durante os dois dias do evento, as mulheres irão refletir as raízes históricas dessas desigualdades, e poderão debater e construir de forma conjunta as oportunidades para a superação desse quadro. Elas serão provocadas, através de uma peça teatral intitulada de “Vida de Margarida”, a refletirem sobre as desigualdades das relações sociais.
Nos últimos 15 anos, muitas conquistas merecem ser celebradas pelas agricultoras no Semiárido. A chegada das tecnologias sociais de armazenamento de água da chuva (cisternas de água de beber e cisternas para produção de alimentos) tem permitido além da democratização do acesso ao recurso, uma grande melhoria na saúde das famílias; a diminuição da carga de trabalho das mulheres; o aumento da disponibilidade de água no quintal e por consequência, a valorização das práticas produtivas das agricultoras.


Para a organização do encontro o momento também é de visibilizar o trabalho da mulher no campo e proporcionar intercâmbios de trocas e fortalecimento dos conhecimentos. “A gente vem dar visibilidade às experiências das mulheres agricultoras que tem construído a agroecologia, que têm melhorado seus quintais e realizam conquistas como o resgate da sua autonomia enquanto mulher. Um encontro como esse vem mobilizar essas mulheres, porque quando elas saem pra participar e se encontram com outras histórias, com outras mulheres, elas voltam fortalecidas pra reassumir e reafirmar cada vez mais o seu papel”, afirma Maria Leônia, da coordenação do Polo da Borborema, da ASA Paraíba.
Além do exercício realizado através de uma maquete de um quintal, montada de forma coletiva, onde as participantes irão debater sobre as inovações e a experiências desenvolvidas a partir da criatividade de cada mulher, onde deverão aparecer questões como: Divisão do trabalho na propriedade e na casa; visibilidade do trabalho e dos conhecimentos das mulheres agricultoras, esse momento será preparatório às visitas de intercâmbio que acontecerão no dia seguinte, a experiências de mulheres sistematizadas em cinco temas: Manejo da água nos quintais; Diversificação produtiva dos arredores de casa; Sementes da paixão; Pequenos criatórios (galinhas, caprinos, ovinos, suínos, etc.) e Acesso aos mercados. As visitas de intercâmbio acontecerão nos municípios paraibanos Massaranduba, Queimadas, Boqueirão, Juazeirinho e Cubati.
Ao final do encontro, em plenária as agriculturas irão refletir o significado e o papel de cada mulher na valorização e na construção de conhecimento para convivência com o Semiárido, fortalecendo a identidade de agricultoras-experimentadoras gestoras de seus próprios conhecimentos.


Programação
23 de setembro
8h – Abertura
8h30 – Peça “A vida de Margarida”
9h30 – Debate sobre as desigualdades
12h30 – Almoço
13h30 – Caminhos de superação – divisão sexual do trabalho dentro da propriedade
15h30 – Trabalho em grupo
Temas: Manejo da água nos quintais; Diversificação produtiva dos arredores de casa; Sementes da paixão; Pequenos criatórios e Acesso aos mercados.
19h – Jantar
19h30 – Feira Guardiãs da Biodiversidade e Noite Cultural

24 de setembro
7h30 – Visitas de Intercâmbio
Temas: Manejo da água nos quintais; Diversificação produtiva dos arredores de casa; Sementes da paixão; Pequenos criatórios e Acesso aos mercados.
14h – Impressões das visitas: O que vi e o que vou levar para casa
14h30 – Qual o significado de ser Agricultora-experimentadora?

16h30 – Mística de encerramento

Facilitadores dos programas P1MC e P1+2 participam de encontro sobre os processos de capacitação das Famílias Agricultoras na região do Coletivo

Facilitadores e Animadores do P1MC e P1+2
Nesta última quinta-feira (18), cerca de 30 pessoas, entre animadores, facilitadores e coordenadores dos Programas Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e Um Milhão de Cisternas (P1MC), reuniram-se na comunidade Caiana, município de Soledade/PB, com o objetivo de avaliar os processos de formação comunitária desenvolvidos no território de atuação do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar do Cariri, Curimataú e Seridó Paraibano em parceria com o PATAC e CENTRAC.

No desenvolvimento das ações da Articulação do Semiárido (ASA), as famílias agricultoras que acessam as tecnologias sociais dos programas P1MC e P1+2, participam de três cursos: Gerenciamento de Recursos Hídricos (GRH), Gestão de Água para Gestão de Alimentos (GAPA) e Sistema Simplificado de Manejo de Água para a Produção (SISMA).

Durante a realização dos cursos as famílias desenvolvem práticas de produção agroecológicas, atividades em mutirões, além de aprofundar seus conhecimentos sobre agricultura, relações de gênero, política e sociedade.

Segundo Alex Barbosa, coordenador do Coletivo Regional e animador do P1+2 “o encontro buscou desenvolver uma metodologia participativa durante as formações onde os agricultores/as compreendam melhor o seu papel na agricultura familiar e nesse processo pra convivência com o semiárido, assimilando os conteúdos sobre o cuidado e uso da água, o manejo produtivo, a relação e divisão sexual de trabalho, na construção da agroecologia nesse território”, afirmou ele.

Em maio, deste ano, aconteceu a primeira etapa desse processo de formação. Este é o segundo momento do grupo, junto às famílias da região. “O evento está sendo muito rico, estamos partilhando as experiências vividas e afinando o diálogo junto às equipes. Um momento construtivo, onde avaliamos o que já avançamos e o que ainda precisamos avançar”, fala Rosimare Alves, liderança comunitária e facilitadora de GAPA, SISMA e GRH, durante a atividade.

Ao fim do encontro foram tirados alguns encaminhamos que devem contribuir para a continuidade do processo formativo das equipes, fortalecendo cada vez mais o trabalho desenvolvido na região, como por exemplo: uma agenda contínua de formação do grupo, alternativas para aperfeiçoar a comunicação entre os integrantes da equipe e sugestões para estimular os momentos de planejamento e preparação das atividades de capacitação.


Patrícia Ribeiro
Comunicadora Popular
Articulação do Semiárido (ASA)
Patac

Caso Ana Alice: dois anos após o crime, família ainda aguarda julgamento dos culpados

Nesta sexta-feira, 19 de setembro, dois anos após o crime que vitimou a jovem agricultora de 16 anos, Ana Alice de Macedo Valentin, do município de Queimadas, Agreste Paraibano, sua família e seus amigos ainda aguardam o julgamento do culpado, Leônio Barbosa de Arruda, preso no final de 2012.

Ana Alice era militante do Polo da Borborema e no dia 19 de setembro de 2012, quando voltava da escola, foi sequestrada e barbaramente violentada. Seu corpo foi enterrado na Zona Rural do município de Caturité, só sendo encontrado 50 dias após o crime. Desde o desaparecimento da jovem, foi formado o Comitê de Solidariedade e pelo Fim da Violência Contra a Mulher Ana Alice, composto por mais de 30 organizações rurais e urbanas. Foi por meio da pressão e da mobilização criada em torno do Comitê, que o caso Ana Alice pode ser investigado e solucionado, com a prisão dos envolvidos. O mentor e mais um adolescente, que teve participação no crime, está respondendo a processo para apuração de ato infracional.

Segundo Claudionor Vital, um dos advogados da família de Ana Alice que acompanha o caso, o processo criminal está aguardando a sentença de pronúncia por parte do juiz Antonio Gonçalves Ribeiro Junior, da 1ª Vara Mista de Queimadas, a quem cabe a condução dos processos para apuração dos crimes de competência do Tribunal do Júri. “Pelas provas existentes, estamos confiantes que o réu seja pronunciado e submetido ao Júri Popular”, afirma o advogado.

Entre os familiares, a expectativa é que o réu receba uma punição exemplar: “Esperamos que ele receba a pena máxima, até porque a gente precisa disso para se sentir segura e também para servir de exemplo para outros marginais. Infelizmente o que aconteceu com Ana Alice já aconteceu, mas a gente pode evitar que aconteça com outras mulheres”, desabafou Angineide Macedo, mãe de Ana Alice.

Em 2013, uma mobilização que reuniu mais de 300 pessoas em Queimadas, lembrou o assassinato da jovem. O objetivo foi o de chamar a atenção da sociedade para a necessidade de medidas pelo fim da impunidade dos crimes de violência contra a mulher. Foi feita uma caminhada com uma parada em frente ao Fórum da Comarca do Município, onde estava sendo realizada uma das audiências do caso e no final, um ato público, no Centro da cidade. A este movimento se juntaram as famílias de Isabella Pajuçara e Michelle Domingues, as duas mulheres assassinadas em fevereiro de 2012, após o bárbaro estupro coletivo ocorrido também em Queimadas. No dia 25 de setembro, Eduardo dos Santos Pereira, acusado de planejar o crime e último envolvido a ser julgado, vai a Júri Popular na capital do estado, João Pessoa.

Uma mobilização como a de 2013 deve acontecer no dia 7 de novembro, data do sepultamento de Ana Alice e lembrando todas as mulheres vítimas de violência no estado. Neste dia 19 de setembro, às 19h, ocorrerá uma missa em memória de Ana Alice, na Capela da Comunidade Caixa D’água, celebrada pelo Padre Ivanilson, Pároco de Queimadas.

O caso - Ana Alice foi sequestrada quando voltava para casa depois da aula, sendo estuprada e violentamente assassinada pelo vaqueiro Leônio Barbosa de Arruda, à época com 21 anos. Seu corpo foi enterrado próximo a residência do assassino, na fazenda onde ele trabalhava, na zona rural do município de Caturité. A adolescente permaneceu desaparecida até que nas imediações de sua comunidade, uma nova mulher foi raptada e violentada, sendo encontrada apenas no dia seguinte com marcas de esganadura, inúmeras escoriações e amputação parcial da orelha direita. Ainda muito traumatizada, ela foi capaz de reconhecer o criminoso (e vizinho) e o denunciou à polícia com a ajuda do Comitê de Solidariedade Ana Alice. Graças ao empenho do Comitê e à coragem desta vítima, o assassino foi preso e confessou o crime contra sua vizinha e contra Ana Alice. Confessou inclusive que, no crime contra Ana Alice, não agiu sozinho, teve a ajuda de um cúmplice, à época, menor de idade.

Ana Alice e a outra mulher, não foram as únicas vítimas. No início de 2012, ao sair de um baile de carnaval, ele violentou uma jovem de Boqueirão. De posse de uma arma, obrigou que ela entrasse em seu carro e a estuprou. Um mês depois, após prestar depoimento do primeiro caso na delegacia desse município, tentou fazer nova vítima também em Boqueirão, agora uma adolescente de 14 anos que teve sorte diferente, quando um amigo a libertou da tentativa de estupro.

Fuga - O assassino encontra-se preso no Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes, mais conhecido como PB-1, em João Pessoa. Ele foi transferido para esta unidade prisional este ano depois de ter fugido do Presídio do Serrotão em Campina Grande, onde aguardava julgamento. 10 dias depois da fuga, e depois de muita pressão por parte do Comitê Ana Alice, o preso conseguiu ser recapturado, no mês de abril de 2014.

7 de agosto de 2014

ESTRATÉGIA DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL FOI TEMA DE ENCONTRO ENTRE AGRICULTORES/AS DO COLETIVO CARIRI

Apresentando a propriedade
Cerca de 40  agricultores e agricultoras do Coletivo Cariri estiveram reunidos durante todo o dia desta quarta-feira, 06, na comunidade Sussuarana em Juazeirinho, para mais um encontro da Comissão Criação Animal.
O momento de reflexão entre os municípios de Juazeirinho, São João do Cariri, Santo André, Olivedos, Gurjão, Pocinhos e Tenório,  teve inicialmente base na visita da propriedade do casal de agricultores Petrônio e Ivoneide, onde os participantes puderam observar as estratégias desenvolvidas na propriedade para a convivência com o Semiárido, principalmente em relação a produção, armazenamento e estocagem de forragem.
Exemplo de plantas forrageiras
O casal agricultor explicou que depois que se inseriram nos espaços de organização comunitária veio a conscientização de que, mesmo vivendo em uma região de muitas dificuldades, era possível ter qualidade de vida e esse despertar os fez começar a experimentar diversas formas de convivência. Petrônio diz que logo que descobriu a Glirícidia como planta forrageira não teve mais dificuldades em alimentar os animais e passou também a ter autonomia e não depender mais da assistência do governo “A Glirícia misturada a outras forrageiras é uma grande alimentação. Depois que comecei a fazer silos e usá-la na complementação nutricional dos animais, não tive perdas e não precisei mais pegar ração em Juazeirinho”.
Já Ivoneide ressaltou a importância da produção de alimentos no arredor de casa, “só de ter hortaliças saudáveis, e não precisar sair para cidade para comprar, pra mim já é uma grande coisa. Eu aprendi com meus pais tudo  o que sei na agricultura, mas depois que comecei a participar dos espaços, pude aprimorar conhecimentos, é muito importante”.
Esterqueira
Cerca Viva
 Na contextualização entre os agricultores com olhar na campanha Forragem: “Quem Cria Estoca!” que está sendo realizada pelo Coletivo e pela a Ong Patac na região do Cariri, Curimataú e Seridó , as discussões mostraram que a melhor forma de conscientizar as pessoas é mostrar como as ações em torno da temática estão sendo desenvolvidas nas propriedades de pessoas que já realizam a experiência de silos, feno e outros exemplos de estocagem e armazenamento. Porém, para o processo desencadear uma ação coletiva e concreta, onde outras famílias também possam se interessar é preciso que haja motivação de quem já faz o trabalho. “Temos que ter coragem, conhecimento e animação”, finalizou dona Maria Clarindo, agricultora que participou da inserção da comunidade em espaços organizativos.  
Plantas Forrageiras
O último ponto da pauta foi a VI Festa Regional da Semente da Paixão que será realizada em novembro. Como encaminhamento ficou acordado que ao voltar as comunidades as lideranças vão identificar experiências de agricultores e agricultoras no tema “Sementes” vegetal e animal,  inseridos no processo de formação ou não,  para que essas experiências sejam sistematizadas de diversas formas para a exposição na festa.







29 de julho de 2014

Encontro discutirá Manejo da Água Servida para a Produção de Alimentos Saudáveis

Agricultora Sara, de Cubati, exibe os frutos da água servida
A Ong Patac e o Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar, entidades que compõem a Articulação Semiárido Brasileiro (Asa Brasil) realizará nesta quinta (31) e sexta-feira  (1º de agosto) um Encontro sobre “Manejo da Água Servida para a Produção de Alimentos Saudáveis”. O evento acontecerá no Day Camp Hotel Fazenda, em Campina Grande. 
A resistência das famílias agricultoras e a capacidade de experimentar a implementação de sistemas simples de captação de água servida (usada) para enfrentar os longos períodos de estiagem no Semiárido, especialmente nos territórios dos Cariris, Curimataú e Seridó paraibano, tem despertado o interesse de entidades de assessoria, universidades e de famílias agricultoras para aprimorar, fortalecer e ampliar práticas de utilização da água servida na própria região, bem como junto a outras famílias do Semiárido.
Dona Nicinha, de Gurjão, usa a água servida para conservar seu quintal
O encontro será aberto, as 8h30, terá como objetivos: Promover o intercâmbio de experiências entre famílias agricultoras e técnicos/as sobre manejo da água servida para a produção de alimentos saudáveis; Construir uma apropriação coletiva sobre a importância da água servida e Planejar a continuidade da formação e aperfeiçoamento de sistemas simplificados de manejo da água servida existentes nas comunidades.
A expectativa é reunir durante esses dois dias, cerca de 40 pessoas, dentre estes, agricultoras e agricultores que trabalham com a dinâmica da agricultura familiar de base agroecológica. Também participarão como convidados e parceiros: O Instituto Nacional do Semiárido (INSA), a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e as demais entidades e organizações que compõem a ASA Paraíba.
Maria José, de Olivedos, usa água servida nas plantas medicinais

O seminário também contará com a apresentação de experiências desenvolvidas por agricultoras/os experimentadoras/es  das regiões de Juazeirinho, Cubati, Olivedos e do Estado do Rio Grande do Norte.