25 de agosto de 2011

Mulheres inauguram Casa de Beneficiamento de produtos da agricultura familiar

Patrícia Ribeiro - comunicadora popular da ASA
Campina Grande | PB
25/08/2011

O 1º Centro de Cidadania das Mulheres do município de Pedra Lavrada será inaugurado dia 3 de setembro (sábado), às 9h, na comunidade Canoa de Dentro. No espaço, funcionará a Casa de Beneficiamento do Grupo Mulheres Filhas da Terra, que produzirá alimentos derivados de produtos da agricultura familiar.

O grupo existe há cerca de três anos. Porém muito antes seu início, as mulheres da comunidade desenvolviam um importante trabalho de articulação política em prol do fortalecimento da agricultura familiar e camponesa nas comunidades próximas de Canoa de Dentro.

A construção da casa de beneficiamento de frutas é resultado do trabalho desenvolvido pelas mulheres em parceria com o Coletivo Regional das Organizações de Agricultores e Agricultoras do Cariri, Curimataú e Seridó Paraibano (Coletivo Regional), juntamente com o Patac.

O desenvolvimento desse trabalho também faz parte de um conjunto de ações desenvolvidas pelo projeto Água no Semiárido - Fase II, que tem apoio da Petrobras. O projeto tem como objetivo principal contribuir para a conquista da segurança alimentar e nutricional, com a melhoria da renda e qualidade de vida, das famílias agricultoras do Semiárido paraibano. Tendo como prioridade, o trabalho com jovens e mulheres da região.

A organização do evento estima a presença de cerca de 100 pessoas. Na programação, além do momento de inauguração da casa, será realizada a apresentação das experiências de beneficiamento e comercialização de frutas nativas e adaptadas do grupo. No fim da atividade também será servido um saboroso almoço tipicamente regional.

Catando o feijão

Entre reivindicações, pautas, saudações e respostas, o governo se compromete apenas com o que não compromete.

Patrícia Ribeiro*
24/08/2011

Apesar das conquistas alcançadas, algumas reivindicações importantes não foram atendidas. Coincidentemente, estas não apenas são significativas para a luta das mulheres, mas também para a luta de toda classe trabalhadora. Do diálogo, restou apenas algumas justificativas por parte do governo, as quais ainda não dão conta de satisfazer os limites e anseios históricos da classe.

A demanda pela Emenda Constitucional, a qual visa limitar o tamanho máximo das propriedades rurais em 35 módulos fiscais; a divulgação dos danos causados pelos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente; o assentamento de 200 mil famílias pelo INCRA; e a ampliação dos recursos orçamentários do Programa de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da SPM direcionados as mulheres camponesas e da floresta; são exemplos nítidos de alguns limites da negociação entre as organizações sociais e o atual governo .

Fora isso, muitas das medidas anunciadas, dependerão a articulação existente entre o governo federal e os governos estaduais, tendo em vista que para serem executadas dependerão além da contrapartida estadual, dos interesses de cada gestor. Mais um período de paciência e coragem nos espera até a próxima Marcha.

Algumas das respostas positivas
* Construção e equipamento de 16 unidades básicas de saúde fluviais, sendo oito em 2011 e oito em 2012;
* Implantação de 10 centros de referencia em saúde do trabalhador voltados para os trabalhadores do campo e da floresta, até 2012.
* Implementação da rede cegonha para reduzir a mortalidade materna das populações do campo e da floresta e aprimorar o atendimento ao recém-nascido.
* Campanha Nacional de prevenção ao câncer de colo de útero e mama para mulheres do campo e da floresta.
* Criação de grupo interministerial para acompanhar o cumprimento das reivindicações, que se reunirá semestralmente. Sendo o próximo encontro já agendado para outubro deste ano.
* Aumento das linhas de crédito destinadas à produção de hortaliças e criação de galinhas nos bancos estatais (Banco do Brasil e BNDES).
* 30% do total disponível no limite familiar de financiamento será para uso exclusivo das mulheres.
* Organizações produtivas femininas ou mistas com mais de 70% de mulheres terão uma reserva de 5% da dotação orçamentária do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).


* Jornalista do Patac/PB e comunicadora popular da ASA

Margaridas plantadas e cultivadas na capital federal


Marcha das Margaridas 2011 - Foto: Patrícia Ribeiro

Diante do contexto atual de crise financeira, política e social, a atual conjuntura do meio rural apresenta desafios cada vez mais incisivos para a classe trabalhadora como um todo. É nesta realidade que mulheres trabalhadoras rurais, urbanas e indígenas são impulsionadas a resistir na luta para construção de um novo modelo de desenvolvimento social. Modelo que atenda não apenas as exigências de soberania, solidariedade e liberdade da nação, mas que garanta as mínimas condições para uma vida sem violência, sem agrotóxicos, com saúde, justiça e igualdade.

Assumindo estes desafios, mais de 70 mil mulheres do campo, da floresta e da cidade participaram da 3ª Marcha das Margaridas, ocorrida em Brasília, entre os dias 16 e 17 de agosto. As mulheres apresentaram uma plataforma de reivindicações à presidenta Dilma Rousseff.

Nas pautas, as mulheres abordam questões chaves que, sendo efetivadas, possibilitariam a realização da Reforma Agrária no Brasil, garantiriam o fortalecimento da Agricultura Familiar Camponesa - principal responsável pela defesa e preservação da biodiversidade, pela seleção, melhoramento e conservação das sementes ou, em outras palavras, pela defesa da segurança e soberania alimentar do país. Se cumpridas, as reivindicações garantiriam ainda o acesso a estratégias e políticas públicas essenciais para o desenvolvimento e fortalecimento da autonomia econômica das mulheres trabalhadoras rurais.

Estudos recentes apontam alguns elementos importantes sobre a invisibilidade da violência contra mulheres camponesas.  No meio rura,l é perceptível a ausência significativa de políticas públicas e segurança Estado. Mesmo sabendo da existência da Lei Maria da Penha, na imensa maioria das regiões rurais do país, as mulheres camponesas são impossibilitadas de ter acesso a direitos já assegurados pela lei como: casas abrigos, delegacias de mulheres, assistência médica, social e jurídica especializada.

Para a coordenadora do Centro da Mulher 8 de Março (CM8M), na Paraíba, que também faz parte da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), Elaine Bezerra, “apesar da pauta com reivindicações ter sido ampliada, questões pontuais e importantes foram conquistadas, como: a instituição de serviços de segurança da saúde, para apurar os agravos do uso de agrotóxico e a promessa de implantação de unidades móveis para atendimento de mulheres vítimas de violência, em municípios pequenos que tem baixa arrecadação financeira”.

A agricultora assentada e secretária do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR/NE), Maria Verônica de Santana, avalia de forma positiva a realização da 3ª ação da Marcha das Margaridas. Ela fala que desde o ano 2000, quando foi realizada a primeira Marcha, o movimento tem conseguido evoluir no processo de construção de uma plataforma política feminista. “Este tem sido um processo evolutivo ao longo de cada ano, tanto no número de participantes, no nível de mobilização e formação, como na construção do caderno de texto e na pauta. Praticamente todas as regiões e movimentos parceiros se reuniram para dar sugestões num processo bastante democrático”.

Em relação às respostas do governo sobre as pautas reivindicativas, Verônica também comenta: “Existem questões que não se resolvem da noite para dia, é preciso criar mecanismo que garantam um processo de diálogo e negociação. A criação do grupo de diálogo foi positiva, além do compromisso de continuar o enfrentamento violência contra as mulheres, entendo este não como um corte no orçamento. Um grupo para pensar as creches no meio rural, colocar a questão da agroecologia no foco das discussões e a criação de cotas para mulheres nos programas de compras do governo, me parece avanços significativos. Agora nas questões estruturantes temos que continuar na luta”.

Eliane Bezerra comenta também um caráter inédito na articulação política da organização da Marcha: “A organização da marcha se abriu para inserção de outras organizações fora da linha do sindicalismo rural, isso foi um ganho significativo que possibilitou a ampliação das pautas de reivindicações no momento de sua construção.”

Atualmente a Marcha das Margaridas é construída pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Federações dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag´s), Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR’s), Central Única dos Trabalhadores (CUT),  com a parceria de movimentos e organizações nacionais e internacionais, como: Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR/NE); Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB); Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS); Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (MAMA); Marcha Mundial das Mulheres; - Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB); União Brasileira de Mulheres (UBM); Rede de Mulheres Rurais da América Latina e Caribe (Rede LAC); Coordenadora de Organizações de Produtores Familiares do Mercosul (Coprofam); entre outras.



Patrícia Ribeiro
Campina Grande - PB
24/08/2011

Margaridas começam a surgir nos asfaltos de Brasília

Pouco a pouco mulheres camponesas dos quatro cantos do país chegam ao Brasília-DF. A “Cidade das Margaridas”, como a capital nacional fica conhecida nesta época, está a espera de cerca de 100 mil mulheres que participarão da 4ª edição da Marcha das Margaridas, que acontece nesta terça e quarta-feira (16 e 17). Dentro do Pavilhão, algumas mulheres organizam os estandes para a apresentação de seus trabalhos, artesanatos e produtos esperam ansiosas pelo início das atividades.

Aos 63 anos, a índia Sateré-Mawé, Andrezza Miquiles, comenta da importância para seu povo de estar participando pela primeira vez da Marcha das Margaridas: “Quero saber dos meus direitos pra poder explicar pra os parentes”.

Andrezza mostra os colares, pulseiras e brincos que confecciona em sua comunidade, localizada em Barrerinha, interior do Amazonas. Ela faz parte da Associação das Mulheres Indígenas Sateré-Mawé (AMISM). Atualmente os artesanatos confeccionados pelas mulheres indígenas Sateré-Mawé mantém as despesas da Associação com sede em Parintins (AM).

O estande Mulheres e Agroecologia, situado na entrada da Feira Mostra Brasil, foi decorado com as imagens de Margarida Maria Alves e Elizabeth Teixeira, símbolos da luta das mulheres camponesas paraibanas.

Francisca Aparecida Firmino, representante do Centro de Educação e Organização Popular (Ceop) e do GT de Mulheres da ASA-PB, diz que esta é a primeira vez que ela participa da Marcha das Margaridas e que está surpresa com a estrutura do evento: “É uma mega estrutura, o espaço está aconchegante, estou com muita expectativa para o início das atividades”.

Ela ainda acrescenta: “Acredito que todas as conquistas que as mulheres conseguiram através da marcha foram muito importantes, ainda existe uma enorme pauta de reivindicações que precisam ser atendidas”.

As atividades da Marcha das Margaridas 2011 começam oficialmente a partir de terça-feira (16), com atividades culturais, oficinas, debates, exposições e muita alegria e energia feminista vindas do campo, da floresta e das cidades de todo o país.


Patrícia Ribeiro
Comunicadora Popular
PATAC - ASA

10 de agosto de 2011

Conterrâneas de Margarida Alves se preparam para a Marcha das Margaridas 2011


Patrícia Ribeiro - comunicadora popular da ASA Campina Grande - PB
10/08/2011

Com o lema “2011 razões para marchar por: desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade”, a 4ª edição da Marcha das Margaridas reunirá mais de 100 mil mulheres do campo, da cidade e da floresta de todo o país, durante os dias 16 e 17 de agosto em Brasília (DF).

A marcha acontece desde 2000, quando foi realizada pela primeira vez durante o governo FHC, como uma ação nacional de denúncia ao projeto neoliberal implementado naquele período. Desde então vem se afirmando como um importante espaço de luta onde mulheres camponesas de todo país reivindicam a superação da desigualdade, da injustiça, da miséria e da violência contra as mulheres.

O nome da marcha faz referência à trabalhadora rural e líder sindical Margarida Maria Alves. Uma paraibana que dedicou sua vida à luta pela reforma agrária, se destacando numa pequena cidade do Brejo do estado. Num período onde a participação das mulheres era fortemente reprimida, Margarida ocupou durante 12 anos a presidência do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande (PB). Sendo brutalmente assassinada em 12 de agosto de 1983, por mexer com os interesses de usineiros da região.

É nesse mesmo estado (Paraíba) que o Coletivo de Mulheres do Campo e da Cidade vem, desde o início do ano, realizando seminários, reuniões e atividades diversas, como preparação das margaridas paraibanas que participarão da marcha 2011.

A expectativa entre as mulheres é contagiante. Além da preparação intelectual com a formação política sobre os eixos temáticos da marcha, as margaridas paraibanas se preparam com a confecção de camisas, faixas, painéis, decorando tudo com muitas flores, cores, chitas, sisais, palhas, amor e alegria. O lilás feminista está sempre presente fazendo uma bela combinação com os sorrisos dessas mulheres fortes, resistentes e guerreiras do nordeste brasileiro.

Lúcia Felix, do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR), é uma das agricultoras artesãs do grupo. Ela confeccionou diversos painéis com bonecas de tecido colorido, todos os detalhes foram cuidadosamente confeccionados pela artesã, que teve o cuidado de pensar também em temas como à biodiversidade e a campanha nacional contra o uso de agrotóxico.

“Eu fiz um painel com as guardiãs da biodiversidade, umas mulheres plantando, colhendo, fazendo doce, colhendo frutas e plantas medicinais e senti um prazer muito grande quando tava fazendo, apesar de dar muito trabalho porque tinha coisa muito miudinha. Eu espero que dê tudo certo e que nossas reivindicações sejam atendidas, que as leis que existem sejam cumpridas, que já existem muitas coisas boas na lei, mas que não são cumpridas. Existe muita violência com as trabalhadoras rurais, a gente quer que as leis sejam cumpridas”, ressaltou a agricultora.

O Coletivo das Mulheres do Campo e da Cidade existe desde 2009 e é formado por diversas organizações e movimentos sociais da Paraíba, tais como: Articulação do Semi-Árido Paraibano (ASA-PB), Consulta Popular, Associação das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande, Marcha Mundial de Mulheres (MMM), Centro de Ação Cultural (CENTRAC), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Centro da Mulher 8 de Março (CM8M), CEOP, Cunhã – Coletivo Feminista, Flor e Flor, Grupo de Estudos de Gênero Flor e Flor da UEPB, Grupo de Mulheres Maria Quitéria, Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE) e Pólo Sindical da Borborema.

Em 2011 a Marcha tem os seguintes objetivos:

- Denunciar e protestar contra a fome, a pobreza e todas as formas de violência, exploração, discriminação e dominação e avançar na construção da igualdade para as mulheres;
- Atuar para que as mulheres do campo e da floresta sejam protagonistas de um novo processo de desenvolvimento rural voltado para a sustentabilidade da vida humana e do meio ambiente;
- Dar visibilidade e reconhecimento à contribuição econômica, política e social das mulheres no processo de desenvolvimento rural;
- Contribuir para a organização, mobilização e formação das mulheres do campo e da floresta;
- Propor e negociar políticas públicas para as mulheres do campo e da floresta.

EIXOS TEMÁTICOS - Plataforma política 2011:

- Biodiversidade e democratização dos recursos naturais - bens comuns
- Terra, água e agroecologia
- Soberania e segurança alimentar e nutricional
- Autonomia econômica, trabalho, emprego e renda
- Saúde pública e direitos reprodutivos
- Educação não sexista, sexualidade e violência
- Democracia, poder e participação política

5 de agosto de 2011

O veneno está na mesa

Documentário da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, realizado pelo cineasta brasileiro Silvio Tendler.