25 de março de 2011

Carta do Zé Agricultor Para Luis da Cidade

A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbosa Melo - foi escrita por Luciano Pizzatto que é Engenheiro Florestal, especialista em Direito Sócio Ambiental, Empresário, Diretor de Parque Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA 88-89, detentor do Primeiro Prêmio Nacional de Ecologia.
 
Prezado Luis, Quanto Tempo.

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né ? O Zé do sapato sujo ? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo . hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta para casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda para tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis ?

Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do Governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis ?

Para ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né .) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário ?

Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa ! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis ? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador para ter luz boa no quarto do Juca.

Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca para voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele para delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.

Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né ? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas para proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia para fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e para poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas para o orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né ?

Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio para não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando para todo lado.

Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis ? Quem será ? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora !. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.

Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu para fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto ! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do

Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.

Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é para todos.

Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe para levar para casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.

(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano)

24 de março de 2011

Marcha reúne 1,5 mil mulheres em Queimadas/PB

Na Paraíba, a segunda edição da Marcha das Mulheres do Pólo da Borborema ocorreu com a participação de mais de 1.500 mulheres. O grupo percorreu mais de 10 km pelas ruas centrais do município de Queimadas, na última sexta-feira (18), denunciando a violência contra a mulher e defendendo a agroecologia. As mulheres vieram regiões do Brejo, Agreste, Curimataú, Seridó, Cariri, Médio e Alto Sertão da Paraíba e juntas gritavam as palavras de ordem “Pela vida das mulheres e da Agroecologia!”.

Inicialmente, durante a concentração ao lado da igreja Matriz, debaixo de um sol escaldante e, ao mesmo tempo, sob um mar de sombrinhas, as pessoas assistiram a apresentação da peça de teatro “A Vida de Margarida”. Nas cenas, o retrato crítico, em tom de comédia, apresentava a realidade diária vivenciada pela maioria das agricultoras familiares. Percebendo-se na reprodução dos cenários de submissão, exploração e desvalorização, mulheres, jovens e crianças riam da já conhecida violência que enfrentam cotidianamente em seus lares.

As cenas serviram de encorajamento para que Dona Terezinha (agricultora de uma comunidade do Brejo de Solânea/PB) se manifestasse, subindo ao palco e dando um depoimento emocionado sobre a experiência vivenciada por ela e sua filha dentro de casa com seu marido.

A agricultora falou de forma bastante simples e forte sobre os diversos momentos de sua vida que foi humilhada e maltratada por seu pai e seu marido. Relembrou os momentos difíceis passados ao longo de seus mais de 60 anos e sobre a preocupação que tinha sobre a formação de sua filha (Maria do Céu), atualmente militante do movimento, estando no momento ao seu lado no palco. Relatou ainda sobre a importância de processos, como aquele, de formação e luta, para garantir a libertação da opressão dos homens sobre as mulheres.

Além de Dona Terezinha e de sua filha Maria do Céu, outras mulheres no decorrer da marcha se sentiram motivadas a dar mais depoimentos sobre experiências vivenciadas de violência, preconceito e marginalização. “São depoimentos como estes que contribuem para o fortalecimento de outras mulheres camponesas violentadas diariamente nas comunidades rurais e nas cidades. Elas não encontram espaços públicos onde possam fazer denúncias, nem encontram outros meios para se defender ou se abrigar. O que buscamos com a Marcha é isso: fazer a denúncia desses crimes silenciados. Defendemos uma agricultura familiar camponesa sem agrotóxico e sem o sangue das mulheres!”, afirma Roselita Vitor, representante do Polo da Borborema.
Vários movimentos sociais e outras organizações marcaram presença durante a marcha. Dilei Aparecida, representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), na Paraíba, comentou sobre a importância da ação para o desenvolvimento da agricultura familiar camponesa: “Essa marcha representa a soma de um esforço coletivo que foi construído nos municípios. Acho que é uma questão muito relevante na agricultura familiar hoje, que expressa um outro modelo de agricultura que nós sonhamos “.

Na chegada ao Clube Blitz de Queimadas, ponto final da marcha, uma feira de artesanato de produtos locais intitulada Um jardim de Margaridas, passou a ser a atração das marchantes.  Roupas, bonecas, enfeites e peças com bordados e detalhes típicos das regiões presentes. Comidas e bebidas com o sabor da comida caseira do interior, tudo feito com produtos agroecológicos e produzidos com o carinho e conhecimento das agricultoras camponesas da Paraíba. Devido ao extremo calor, um dos produtos mais apreciados da feira foi a mouse de umbu, doce, gelado e com um sabor azedinho delicioso, produto encontrado na maioria das barracas no local.

Dentre as falas que recepcionaram as marchantes, Maria da Glória, coordenadora da ASA-PB e representante do Estado na Coordenação Executiva da ASA Brasil, destacou a beleza daquele momento e ainda relembrou a importância da realização da segunda marcha para combater a violência contra as mulheres no campo e na cidade e pela Agroecologia: “Esse momento está sendo muito bonito. Mais de 1500 mulheres marcharam em defesa de um novo modelo de desenvolvimento, fundamentado na Agroecologia. Estamos, em mais um ano, denunciando a violência vivenciada por muitas mulheres do campo e da cidade, que são violentadas das mais diversas formas. Daí é importante afirmar que para a Agroecologia se consolidar como um novo modo de vida, é fundamental a consolidação de relações mais harmônicas com a Natureza e com a sociedade. Assim sendo, a Agroecologia só se tornará um modelo para a ação libertadora das camponesas e dos camponeses se for baseada em relações que buscam a superação das desigualdades sociais entre homens e mulheres. Lutamos pela Convivência com o Semiárido. Lutamos pelo fortalecimento da Agricultura Familiar Camponesa Agroecológica. Lutamos pelo fim da violência contra as mulheres. Lutamos pela vida das Mulheres e da Agroecologia!”.


 
Patrícia Ribeiro
Comunicadora Popular
PATAC
22/03/2010

Filhos e pais agricultores se encantam com desenho animado da ASA

Na programação da II Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, realizada em Queimadas, na Paraíba, no último dia 18, foi realizado o lançamento da Série de Desenhos animados da ASA Brasil: Água, vida e alegria no semiárido.

A apresentação da série chamou a atenção das crianças e mães presentes. Dona Jandira, agricultura da Comunidade Santa Cruz, localizada no município de São Vicente do Seridó, comentou sobre a importância de realização de trabalhos como estes, que desenvolvem a atenção das crianças para questões presentes na sua realidade. “É muito bonito! Os desenhos ensinam os jovens e os adultos sobre como devemos cuidar da nossa água, da nossa terra. Deveria ter mais dessas coisas pra gente poder assistir na televisão”, enfatizou a agricultora.

A construção da série teve a participação de 16 estudantes que cursavam a quarta série da Escola Doutor João de Oliveira Campos, na comunidade de Ponto Novo, em Riachão do Jacuípe, na Bahia. As crianças participaram de duas oficinas, nas quais fizeram vários desenhos sobre a realidade vivenciada em suas comunidades e as inúmeras experiências alternativas de convivência com o Semiárido, desenvolvidas por suas famílias. “...elas construíram diversas histórias que serviram como base para a criação do roteiro dos desenhos animados”, informou Francisca Aparecida Firmino, representante da Centro de Educação e Organização Popular (CEOP), que fez a fala de lançamento dos vídeos. O projeto foi desenvolvido pela Assessoria de Comunicação da ASA em parceria com a organização Movimento de Organização Comunitária (MOC).

Crianças e alguns adultos continuaram assistindo aos episódios da série, enquanto almoçavam e se preparavam para o retorno à suas comunidades, nos municípios do Semiárido paraibano.


Patrícia Ribeiro
Comunicadora Popular
Patac

17 de março de 2011

FEMINISMO E AGROECOLOGIA CAMINHAM JUNTOS PELA CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO

Alguns dados atualmente passam despercebidos, dados relacionados à violência contra a mulher, por exemplo, estão a cada dia que passa sendo mais banalizados. No entanto são estes os que devemos estar ainda mais atentos e atentas/as. Eles representam o avanço de um problema que vem se estendendo ao longo da nossa história.

Na Paraíba, somente no ano passado (2010) mais de 53 MULHERES foram violentamente assassinadas no estado. Se olharmos um pouquinho para o lado o número é ainda mais assustador, no Ceará, 153 MULHERES foram assassinadas em 2010. Adicionando a esta soma ainda a cidade de São Paulo, chegamos a mais de 350 MULHERES mortas, neste mesmo ano. O que mais assusta nesses casos, é que os agressores-assassinos, em sua maioria, tratam se de maridos, companheiros, namorados, ex-maridos, ex-companheiros, ex-namorados.

Com essa e outras preocupações, que perpassam pela histórica luta das mulheres em todo o mundo, e principalmente no nordeste brasileiro, um grupo de mulheres que compõe a ASA - Articulação do Semiárido, da Paraíba, decidiram se organizar através do GT Mulheres da ASA no estado.

Inicialmente, durante a realização do 5º Encontro Estadual da Agroecologia, o grupo se reuniu a partir de uma comissão, a qual se propunha a levar o debate de gênero para dentro das redes temáticas e ações desenvolvidas pela ASA. “Diante do trabalho que estávamos desenvolvendo, através da ASA-PB, percebemos a falta de visibilidade do papel das mulheres com relação à agroecologia. Antes só se falava sobre o agricultor experimentador, faltava abordar a participação das mulheres no resgate e valorização das sementes da paixão e na própria experimentação”, relata Maria da Glória Araújo, Coordenadora da ASA-PB e do PATAC.

Para o grupo, pautar a convivência com o semiárido e a agroecologia, é também pautar a equidade de gênero e a construção de novos valores, novas relações entre pessoas e pessoas, e pessoas e natureza. As mulheres do semiárido veem cumprindo durante séculos o papel de guardiãs do patrimônio genético dessa região. Com isso o GT vem discutindo a importância de construir uma conecção com maior interação entre Feminismo e Agroecologia. Tendo em vista que se trata de duas perspectivas de mudanças sociais e culturais que dialogam entre si e se complementam.

Diante da realidade das mulheres atualmente no país e principalmente na Paraíba, as mulheres da ASA propõem os temas relacionados à Violência contra a Mulher e a Saúde da Mulher como principais pontos a serem discutidos nas microrregiões de atuação da ASA.


Patricia Ribeiro
Comunicadora Popular
PATAC

II Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia

No dia 18 de março, 1500 mulheres da região do Polo da Borborema e integrantes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA PB) participarão da II Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia no centro da cidade de Queimadas (PB). A marcha será um momento singular para denunciar as desigualdades sociais e a violência contra a mulher, mas também marcará a luta por direitos e relações mais justas na agricultura familiar.

O ato terá início ao lado da Igreja Matriz com a apresentação da peça teatral A vida de Margarida. Por meio de um instrumento lúdico, a ideia é problematizar as relações desiguais entre homens e mulheres para então sair em marcha chamando a atenção da sociedade para os problemas enfrentados pelas agricultoras, que ao mesmo tempo reafirmarão suas capacidades de luta, resistência e, principalmente, inovação nas esferas produtiva, organizacional e política. 

Água: Vida e Alegria no Semiárido

Movimentos Sociais realizam debate e batucada em Campina Grande para lembrar dia Internacional da Mulher

Esta terça-feira, dia 15 de março foi a data escolhida por um grupo de entidades, movimentos sociais, sindicais e estudantis de Campina Grande para lembrar o Dia Internacional da Mulher, transcorrido na terça-feira, feriado de Carnaval. No auditório da Faculdade de Administração da UEPB mais de 80 pessoas participaram do Debate “Mulheres do Campo e da Cidade na Luta por Direitos e Igualdade”. O evento teve como debatedoras Idalina Santiago, professora e pesquisadora do Grupo de Estudos de Gênero Flor e Flor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Maria Leonia dos Santos do Pólo Sindical da Borborema e da Articulação do Semi-Árido ASA. 

Leonia abriu o debate apresentando a experiência do Pólo Sindical da Borborema no empoderamento das mulheres e nas novas possibilidades que o trabalho com a agroecologia apontou para as trabalhadoras rurais. A professora Idalina Santiago fez um resgate da luta das mulheres no meio urbano desde as reivindicações pelo direito à uma educação igual à dos homens até os direitos sexuais e reprodutivos como os conhecemos hoje. A programação foi aberta com uma apresentação de Teatro do Oprimido, para estimular o debate entre os/as participantes e lançar as primeiras questões sobre o assunto.

O segundo momento do evento aconteceu na Praça da Bandeira onde as/os participantes realizaram uma batucada e panfletagem nos sinais próximos ao local. “Foi evento muito bom, pois nos trás a possibilidade de fortalecer os espaços onde nós (mulheres) já atuamos e criar novas articulações, como a campo-cidade aqui em Campina Grande e quem sabe no nível estadual também”, avaliou Mirian Farias, da Marcha Mundial das Mulheres, entidade que coordenou o evento.
Entre as entidades que promovem o evento estão: Articulação do Semi-Árido da Paraíba (ASA-PB), Associação dos Docentes da UFCG (ADUFCG), Associação de Juventude pelo Resgate da Cultura e Cidadania (AJURCC), Associação das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande, Central Sindical e Popular (Conlutas), Centro da Mulher 08 de março, Centro Acadêmico de Serviço Social 08 de Março (UEPB), Centro de Ação Cultural (CENTRAC), Consulta Popular, Grupo de Estudos de Gênero Flor e Flor da UEPB, Diretório Central dos Estudantes da UEPB, Diretório Central dos Estudantes da UFCG, Heifer Internacional, Marcha Mundial das Mulheres, Ong Menina Feliz, SINTAB e Via Campesina.
Marcha
Ainda dentro das comemorações alusivas ao Dia Internacional da Mulher na próxima sexta-feira, dia 18 de março, acontecerá na cidade de Queimadas, a 2ª Marcha pela Vida das Mulheres e Agroecologia promovida pelo Pólo Sindical da Borborema e pela Ong Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), com o apoio da Articulação do Semi-Árido da Paraíba (ASA-PB).

O evento terá concentração no centro da cidade a partir das 9h, com uma Peça de Teatro sobre os problemas enfrentados pelas mulheres e as prováveis soluções, em seguida a Marcha, seguirá pelas ruas centrais de Queimadas. O evento espera reunir cerca de 1.500 mulheres dos 16 municípios em que o Pólo Sindical da Borborema atua e das demais regiões do Estado. A Marcha faz parte de uma série de eventos como seminários e encontros preparatórios que vem acontecendo dentro das comemorações do mês da mulher na região.
 

Áurea Olimpia Figueiredo
Assessora de Comunicação
Centro de Ação Cultural (CENTRAC)
R. Rodrigues Alves, 672, Prata.
Telefones: 3341-2800/ 8650-6695
Twitter: @centrac

14 de março de 2011

Rede Abelha Paraíba reúne apicultores em encontro avaliativo

Eudes Costa – Comunicador Popular da ASA - Patos – PB
Aconteceu no dia 01 de março/2011 no auditório de eventos do SEBRAE - município de Patos, o Encontro Avaliativo da REDAP - (Rede Abelha da Paraíba) – a reunião teve o objetivo de analisar as ações do ano de 2010, igualmente, refletir sobre a temática de acesso aos mercados e a sua organização interna. Na ocasião estiveram presentes assessores das entidades mobilizadoras: Aspa, Cáritas, Propac, Patac e os próprios apicultores das associações do município de São José do Belém, São Mamede, São José de Espinharas e Aparecida, além de uma representante do SEBRAE regional de Patos.
Cada participante das microrregiões fizeram o levantamento da situação das atividades realizadas, colocando os avanços e obstáculos.
Na região do Alto Sertão a ASPA – (Associação dos Apicultores do Sertão Paraibano) - tem sido proativa na atividade e realizado várias parcerias, eventos e capacitações para fomentar o trabalho com as abelhas: elaboração do Projeto do Entreposto do Mel, aprovado e conveniado pelo o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (FUNCEP) e a Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (SEPLAG) - aja visto a construção do prédio do Entreposto até o fim de 2011. O Projeto de Fundo Solidário com o apoio do Banco do Nordeste resultando na distribuição de equipamentos apícolas, fortalecendo o avanço e o crescimento de apicultores no manejo mais qualificado. Realização festiva em comemoração ao Dia do Mel – (31 de Junho/2010). Promovido eventos através do PLANSEQ - Plano Setorial de Qualificação capacitando mais 150 pessoas, e na parceria com o SEBRAE regional de Sousa, capacitou 20 jovens para desenvolver a apicultura.
Já a região do Médio Sertão os apicultores tiveram o apoio do Projeto Ápis coordenado pelo SEBRAE regional, com esse apoio o projeto desencadeou melhoras na produção apícola - em umas das coletas do mel, no ano passado, conseguiram extrair em cada colmeia mais de 20 quilos. Parte da produção vai para o Programa de Aquisição de Alimentos – (PAA) e para o Banco de Alimentos do município. A comercialização é uma das preocupações existente diante de um mercado exigente, sem um selo de certificação do produto saem em desvantagem, muitos dos consumidores não acreditam na qualidade do produto impedindo inclusive de vender nos supermercado, onde na maioria vendem o mel por um valor irrisório.
O Programa de Promoção e Ação Comunitária (Propac) – ONG da Articulação do Semiárido (ASA) - administra na região do médio sertão um projeto institucional apoiada pela MISEREOR no propósito de diagnosticar em um levantamento os criadores/as de abelhas e trabalhar o processo de mobilização e organização da atividade, essa ação já tem demonstrado um resultado positivo na identificação de cerca de 200 criadores/as de abelha todos ligados às associações comunitárias.
Para José Valterlândio Cardoso – técnico educador do Programa de Aplicação de Tecnologia Apropria às Comunidades (Patac) – a apicultura teve seus altos e baixos na região do Cariri, e geralmente na região do nosso semiárido, onde há chuvas irregulares, um ano chove muito outro chove quase nada – “O ano passado foi de baixa entre um grupo de 50 apicultores na região do Cariri que se sentiram desestimulados. Mas, mesmo assim, aconteceram várias capacitações e evento para estimular a criação. Dentro do Território do Cariri existe uma elaboração de um projeto para instigar ainda mais a apicultura na região, mas não tem nada ainda exato quanto à aprovação. O bom mesmo é que as famílias estão cuidando melhor da atividade e das abelhas”. – destaca.
O acesso aos mercados na atual conjuntura foi um tema que recebeu uma atenção especial, a tônica do debate é dar maior expressão no escoamento do produto em diversos espaços que assegure uma comercialização sazonal do mel.
Outra questão levantada na reunião pelo representante da Secretaria de Desenvolvimento Territorial do Estado – Antônio Souto – foi quanto ao fornecimento do mel ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) - Tem sido muito pouco incluído e explorado nos últimos anos. Na Paraíba, segundo dados do PAA, nesses mesmos anos não existiu nenhum projeto voltado pra atividade do mel, somente em 2010 uma quantia ínfima de projeto aprovado e financiado, em ralação aos estados vizinhos, onde a mesma quantia é disponibilizada pelo governo na ordem de 1 milhão de reais para incentivar a compra do produto.
 Vários são os problemas identificados pra que isso aconteça que vai desde a organização, produção, infraestrutura de beneficiamento, capacitação e logística.
É preciso urgentemente fazer o mapeamento dos apicultores no estado, contabilizar o volume da produção e inserir no cardápio exigido pelo PAA e PNAE.
Existe uma preocupação da CONAB estadual de impulsionar a comercialização do mel ao PAA, aja visto, que o governo de Dilma Rousseff disponibilizará para os próximos anos uma cifra na ordem de 1 bilhão de reais. E que para efetivar a participação dos apicultores/as, agricultores/as é necessário que se estruturem e fiquem atentos para pautar os valores dos produtos fornecidos ao programa, dentro da lógica de trabalho de cada região, analisando os parâmetros de valores da CONAB, pois em particular as regiões são diferentes na sua forma de comercialização.
A boa noticia deixada pelo representante da SDT – é que estar em andamento uma minuta na Casa Civil feita pelo CONSEA para tornar o PAA e o PNAE em politica pública, no entanto, isso só será possível com a participação concreta da sociedade civil. 
Nos encaminhamentos finais os apicultores definiram propostas para as futuras reuniões e formas de atuação:
ü     Reuniões bimestrais – próxima já marcada – 27 de abril/2011 em Patos;
ü     Reunião da rede em 20 de junho 2011 na festa em comemoração ao Dia do Mel no Alto Sertão – Aparecida;
ü     Na rede a ideia é que cada entidade faça a sua agenda de articulação;
ü    Trabalhar as experiências existentes pra divulgar, expor, trocar saberes e experimentos com outros apicultores/as, no intuito de buscar resultados relevantes para uma comercializar no mercado interno;
ü     Mapear a produção do mel pra comercializar no Estado através da rede;
ü     Realizar o planejamento regional entre apicultores/as e entidade mobilizadora.
ü     E manter a forma de gestão anterior até decidirem qual a entidade proponente que fará a gestão da rede num todo.

10 de março de 2011

ENTIDADES DE CAMPINA GRANDE COMEMORAM DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Campina Grande, 10 de março de 2011.

Um grupo de entidades, movimentos sociais, sindicais e estudantis de Campina Grande se uniu para celebrar na próxima terça-feira, 15 de março, o Dia Internacional da Mulher, transcorrido na terça-feira, feriado de Carnaval. A data vai ser comemorada na cidade com o Debate “Mulheres do Campo e da Cidade na Luta por Direitos e Igualdade” realizado à partir das 13h30, no auditório da Faculdade de Administração da UEPB, localizado à Rua Getúlio Vargas, 44, Centro. O evento terá como debatedoras Idalina Santiago, professora e pesquisadora do Grupo de Estudos de Gênero Flor e Flor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), falando sobre a conjuntura dos direitos das mulheres no cenário urbano e Maria Leonia dos Santos do Pólo Sindical da Borborema e da Articulação do Semi-Árido ASA sobre a conjuntura no meio rural.

A programação da tarde será aberta com uma apresentação de Teatro do Oprimido, onde se discutirá os principais problemas que as mulheres enfrentam hoje em dia e serão discutidas soluções com a ajuda dos/as expectadores/as. A entrada no evento é totalmente gratuita e aberta a qualquer pessoa interessada, estão sendo convidadas entidades representativas da sociedade civil organizada de Campina Grande.

Batucada e panfletagem

Após o debate, às 16h30 as/os participantes irão realizar uma batucada e panfletagem na Praça da Bandeira e sinais de trânsito próximos, distribuindo materiais informativos sobre a temática e chamando a atenção da população que passa pelo local para os graves problemas enfrentados pelas mulheres atualmente.

Entre as entidades que promovem o evento estão: Articulação do Semi-Árido da Paraíba (ASA-PB), Associação dos Docentes da UFCG (ADUFCG), Associação de Juventude pelo Resgate da Cultura e Cidadania (AJURCC), Associação das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande, Central Sindical e Popular (Conlutas), Centro da Mulher 08 de março, Centro Acadêmico de Serviço Social 08 de Março (UEPB), Centro de Ação Cultural (CENTRAC), Clube de Mães de Belo Monte, Consulta Popular, Grupo de Estudos de Gênero Flor e Flor da UEPB, Diretório Central dos Estudantes da UEPB, Diretório Central dos Estudantes da UFCG, Heifer Internacional, Marcha Mundial das Mulheres, Ong Menina Feliz, SINTAB e Via Campesina.

Marcha

Ainda dentro das comemorações alusivas ao Dia Internacional da Mulher na próxima sexta-feira, dia 18 de março, acontecerá na cidade de Queimadas, a 2ª Marcha pela Vida das Mulheres e Agroecologia promovida pelo Pólo Sindical da Borborema e pela Ong Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), com o apoio da Articulação do Semi-Árido da Paraíba (ASA-PB). O evento terá concentração no centro da cidade a partir das 9h, com uma Peça de Teatro sobre os problemas enfrentados pelas mulheres e as prováveis soluções, em seguida a Marcha, seguirá pelas ruas centrais de Queimadas. O evento espera reunir cerca de 1.500 mulheres dos 16 municípios em que o Pólo Sindical da Borborema atua e de todas as demais regiões do Estado.A Marcha faz parte de uma série de eventos como seminários e encontros preparatórios que vem acontecendo dentro das comemorações do mês da mulher na região.

Dados

·         53 mulheres foram assassinadas na Paraíba de janeiro a dezembro de 2010;
·         A cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil;
·         7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões no país;
·         51,2% das mulheres estão no trabalho informal (contra 46,8% dos homens);
·         11,6% das mulheres ocupadas com 16 anos ou mais não tem rendimento;
·         As mulheres são maioria entre os desempregados (56,4%); são minoria com carteira assinada (33,58%); são minoria no trabalho formal (25,8%); e recebem em média 29,7% menos que os homens;
·         Um dos maiores percentuais da força de trabalho feminina se concentra no trabalho doméstico remunerado: 15,8% do total de mulheres ocupadas. Destas, 80% são negras.
·         Na América Latina e Caribe, as mulheres são responsáveis por 45% da produção de alimentos. 
·         As mulheres estão entre a parcela da população que mais estão sujeitas a pobreza, fome e desnutrição no mundo.
·         No Brasil, as mulheres representam 47,8% da população residente no meio rural, somente 16% são titulares das terras onde moram.
·         Poucas mulheres conseguem acessar o crédito rural, a exemplo do Pronaf Mulher que em 2010 não foi acessado por nenhuma mulher na PB.
·         A taxa de analfabetismo feminino, em 2006, na zona rural era de 22,2.

MANIFESTO DAS MULHERES DO CAMPO E DA CIDADE

Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras

Neste dia 08 março de 2011, estamos mobilizadas mais uma vez, reafirmando nossa história de lutas, conquistas, resistências e enfrentamentos. Somos mulheres trabalhadoras do campo e da cidade, organizadas em Movimentos Sociais no município Brasília estado Distrito Federal e articuladas na Jornada Nacional de Lutas do 08 de Março.

Vivemos em um mundo que nos afirmam ser tecnologicamente “desenvolvido”, tanto financeiro quanto industrial, onde as necessidades de consumo são, em grande medida, para atender a demanda do mercado, gerando concentração de renda nas mãos de poucas pessoas. Esta sociedade capitalista se sustenta através da exploração da classe trabalhadora e beneficia setores e corporações como por exemplo: Bayer, Basf, Monsanto, Syngenta, Dreyfus, entre outras, sem levar em consideração as pessoas, o ambiente e todos os danos sociais e ambientais, que este tipo de sistema causa.

Nesta conjuntura nós mulheres estamos enfrentando todas as formas de violência: física, sexual, moral, patrimonial, psicológica, exploração do trabalho, além da violência do agronegócio que expulsa as camponesas e camponeses do campo. De maneira geral o que nos resta são as consequências deste sistema patriarcal e capitalista, baseado nas monoculturas, produção de escala e grande extensão, com a utilização cada vez maior de agrotóxicos e sem fiscalização, são as inúmeras doenças que estão nos matando dia após dia, como o câncer, pneumonias, alergias, depressão, doenças do sistema imunológico, neurológico e reprodutivo.

Por isso Denunciamos:
- O uso de agrotóxicos implantados principalmente pelo agronegócio que leva cada vez mais a desintegração social, cultural, econômica e ambiental, se tornando uma ameaça à vida humana, do ecossistema e do planeta;
- O descaso e a falta de compromisso de órgãos competentes e autoridades na fiscalização e na punição diante de descumprimentos das Leis. Citamos como casos concretos o desmantelamento do Código Florestal Brasileiro e a não rotulagem massiva dos produtos transgênicos.
- A não implementação, a falta de estrutura e as tentativas de impedimentos da existência da Lei Maria da Penha, além do descaso e negligência por parte dos órgãos competentes no atendimento das mulheres vítimas de violência.
- O descaso do estado brasileiro na implementação do Sistema de Seguridade Social (saúde e assistência social brasileira) e as várias tentativas de seu desmonte.

Em contraposição, exigimos que:
- O Estado Brasileiro tenha responsabilidade e o compromisso de preservar a vida do ecossistema, implementando as leis já em vigor e garantindo seu cumprimento com eficácia. Que o Estado faça uma ampla campanha de eliminação do uso dos agrotóxicos e produtos tóxicos bem como de seus agentes destruidores do ser humano e do ecossistema.
- O Estado Brasileiro se empenhe em implementar a Lei Maria da Penha como uma forma de erradicar a violência praticada contra as mulheres.
- O Estado Brasileiro implemente a Seguridade Social como um dos direitos fundamentais da Constituição de 1988 e que precisa ser implementada com seriedade, garantindo o atendimento de qualidade e humanizado pelo SUS, pelo INSS e Assistência Social. Isto é um dever do Estado e direito de todos os brasileiros e brasileiras.
Reivindicamos direitos que acreditamos serem essenciais para a garantia de uma vida mais digna e denunciamos as injustiças, desigualdades e descasos sociais, ambientais, econômicos, políticos e culturais do sistema patriarcal e capitalista.

Nossa indignação vem ao encontro da construção de uma sociedade justa, igualitária e democrática, onde as pessoas possam viver bem e sem discriminação, tenham acesso a alimentos em quantidade e qualidade suficientes, onde as mulheres não sofram mais nenhuma forma de violência e que os direitos sejam efetivamente garantidos.

“08 de março – Dia de Luta das Mulheres Trabalhadoras do Campo e da Cidade”.

Entidades que assinam este manifesto:
Movimento de Mulheres Camponesas – MMC Brasil

- 08 DE MARÇO DE 2011 -

Projeto incentiva participação de mulheres e jovens na agricultura

(Reportagem sobre o PATAC, publicada na edição deste domingo (06/03) no Jornal da Paraíba)
Por: Alberto Simplício
Fazer com que as mulheres agricultoras se tornem economicamente ativas e que os jovens possam dar seguimento a atividade que é explorada pelas suas famílias tem sido um dos objetivos do Patac, Organização Não Governamental sediada em Campina Grande. A ONG, que trabalha na perspetiva de desenvolver a segurança e a soberania alimentar dos agricultores de dez municípios do semiárido paraibano,  tem prestado um serviço às comunidades e ajudado as famílias camponesas a descobrirem novas formas de se relacionarem com a natureza.

Através de parcerias com outras organizações do poder público e da sociedade civil é prestado assistência a cerca de três mil famílias dos municípios de Cubati, São Vicente, Pocinhos, Pedra Lavrada, Juazeirinho, Soledade, São André, São Vicente, Gurjão e São João do Cariri. Nos últimos anos, elas estão aprendendo a se adaptar melhor às condições adversas do clima da região, que as vinham afastando do trabalho rural. O resultado tem sido o florescimento da agroecologia e o crescente interesse das famílias em proverem o seu sustento, a partir do aproveitamento da terra, que sempre existiu, mas  era subutilizada. A criação de animais também tem sido incentivada.
 
A viabilidade para a construção de cisternas, a valorização dos barreiros e dos poços de pedras para o armazenamento d’água, considerado o principal problema que afeta o semiárido tem ajudado nesse processo.
 
Nos últimos três, as comunidades ganharam condições para armazenarem aproximadamente 50 milhões de litros a mais de água, de acordo com informações repassadas pela ONG. Isso foi possível graças as parcerias que resultaram na construção de 1.072 cisternas de placa, dez barragens subterrâneas, 56 cisternas calçadão, 11 poços amazonas, entre outras tecnologias de armazenamento hídrico. “Com a água, a agricultura começou a ser melhor explorada pelas famílias. A maioria das mulheres hoje possuem pomares e hortas no quintal de suas casas, garantindo assim a subsistência da família”, disse um dos coordenadores do Patac, Antônio Carlos Pires.

Por não estar focada na produção comercial, os ganhos reais obtidos pela agricultura familiar são difíceis de serem mencionados. O principal ganho na verdade é a garantia de que as famílias estão tendo sua segurança alimentar e assegurando melhores condições de vida.
No que se refere a comercialização, os dados fornecidos pelo Patac revelam  que no ano passado a produção de cinco município onde o trabalho está mais consolidado conseguiu faturar uma média de R$ 33 mil no ano passado.

Os agricultores de Pedra Lavrada, no Curimataú, por exemplo, conseguiram  mais de R$ 10 mil em produtos e os de Juazeirinho quase R$ 8,5 mil. Os outros municípios que também se destacaram foram Soledade, Santo André e Cubati.
 
Antônio Carlos, diz que a partir dos resultados as mulheres passaram a se interessar mais pelas atividades rurais e se envolvem na produção de doces, hortaliças, ervas medicinas e na criação de galinhas. “Elas hoje não mais esperam que seus maridos sejam os únicos responsáveis pela manutenção do lar. Isso foi possível graças as reuniões comunitárias realizadas e a consciência desenvolvida de que dá para  viver no semiárido”, completou.
A agricultura camponesa tem sido incentivada também através da criação da bodega agroecológica, localizada no município de Soledade, responsável pelo escoamento de alguns produtos como polpa, queijo, biscoitos e doce. Em 2010 foram vendidos, por exemplo, 9.000 quilos de polpa, mil quilos de doce, 2.000 quilos de jerimum. Grande parte da produção não chega a bodega e é comercializada com o poder público, que utiliza os alimentos na merenda escolar, por exemplo. (AS)

4 de março de 2011

NOTA INFORMATIVA

Informamos a todos/as que devido ao período de feriado do carnaval, o escritório do PATAC (localizado à rua Capitão João Alves Lira, 1114 - Prata) estará fechado durante os dias: 5/03/2011 à 09/03/2011. Voltando a seu funcionamento normal a partir do dia 10/03/2011 (quinta-feira).

Contando com a compreensão de todos, agradecemos a atenção e desejamos um bom carnaval.

Equipe administrativa do Patac

Jornada das Mulheres da Via Campesina mobiliza nove estados contra os agrotóxicos

Jornada de Lutas das Mulheres da Via Campesina já mobilizou nove estados denuncia os impactos para a saúde humana e para o ambiente do uso abusivo dos agrotóxicos e aponta a responsabilidade do modelo de produção do agronegócio.

Em todo o Brasil, as camponesas, em conjunto com outros movimentos urbanos, denunciam que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, inclusive de agentes contaminantes totalmente nocivos a saúde humana, animal e vegetal que já foram proibidos em outros países do mundo.

Segundo dados do Sindicato da Indústria de Defesa Agrícola, os estados de Mato Grosso, Paraná e São Paulo são, respectivamente, os maiores consumidores de veneno.
Nesta quarta-feira, aconteceram atividades em três estados: Ceará, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Confira o que aconteceu e irá acontecer estado por estado:

Na Paraíba, cerca de 1500 mulheres farão uma marcha denunciando o aumento da violência contra mulheres do campo e da cidade em todo o estado. A marcha acontecerá dia 18/03 no município de Queimadas e contará com a participação de mulheres de diversos movimentos sociais, como MST, MAB, Via campesina, MMC, MMM, além de outras organizações sociais do estado da Paraíba.
No Rio de Janeiro, cerca de 300 mulheres trabalhadoras do campo e da cidade ocuparam a sede do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no centro da capital carioca.  O objetivo da mobilização é denunciar os altos investimentos e empréstimos do BNDES à indústria dos agrotóxicos e às transnacionais da agricultura, que compram e lançam os venenos agrícolas nas lavouras brasileiras.

No Ceará, mais de 1.000 mulheres dos movimentos sociais do Ceará, como o MST, o Movimento dos Conselhos Populares e a Central dos Movimentos Populares, fazem duas marchas para denunciar os impactos negativos para a saúde humana e para o ambiente com uso excessivo de agrotóxicos no Brasil e os impacto.

Em Fortaleza, mais de 600 mulheres marcharam até Palácio da Abolição, do governo do Estado, para denunciar a política de isenção fiscal que beneficia as indústrias de venenos e amplia o consumo de agrotóxicos em todo o estado. Em Santa Quitéria, 500 mulheres protestam contra a instalação da mina de Itataia.
Cerca de 500 mulheres da Via Campesina estão reunidas nesta quarta feira em Curitibanos (SC), no parque de exposição Pouso dos Tropeiros, com o lema, “Contra o agronegócio, em defesa da soberania popular”. O encontro iniciou com uma mística relembrando o porquê do 8 de março ser um dia de luta das mulheres trabalhadoras. No momento em que acontece o encontro, uma comissão está reunida com o governo do estado para reivindicar a pauta.
Na Bahia, 500 trabalhadoras rurais e urbanas realizaram uma caminhada em Vitória da Conquista em frente a Prefeitura e aos Bancos do Nordeste e Brasil para a reivindicação da liberação do Pronaf Mulher, renegociação das dívidas das assentadas e a construção de creches nos assentamentos. Em Petrolina, mais 500 camponesas ocuparam a sede do INSS junto com MPA, MAB, CPT, IRPA, Quilombolas e Pescadoras, para cobrar a implementação dos processos de aposentadoria das trabalhadoras rurais, auxílio doença e o salário maternidade.
Em Eunápolis 1500 mulheres ocuparam a fazenda Cedro pertencente à multinacional Veracel, no município de Eunápolis no dia 28/2. Hoje, as camponesas trancaram a BR 101 por duas horas.  As trabalhadoras denunciam a ação do agronegócio no extremo sul da Bahia, com a produção da monocultura de eucaliptos praticada pela Veracel na região de maneira irregular, pois ocupa terras devolutas.  Encontros para discutir a agricultura camponesa e sementes crioulas também estão previstos para os dias 05 a 10 de março, envolvendo os municípios de Pindaí, Caetité, Riacho do Santana, Rio do Antônio, Caculé, Brumado.

Em Pernambuco, 800 trabalhadoras rurais ligadas ao MST, ao Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), ao Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) e à Comissão Pastoral da Terra (CPT) marcharam na manhã desta terça-feira (1/3) de Petrolina a Juazeiro, trancando a ponte que liga os dois municípios, denunciando a inoperância do Incra da região. No dia 28/2, mais 500 mulheres ocuparam o Incra da cidade de Recife como forma de chamar a atenção para a Reforma Agrária.

No Rio Grande do Sul, cerca de 1.000 mulheres da Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Levante da Juventude e Intersindical protestaram no dia 1/3 em frente ao Palácio da Justiça, na Praça da Matriz em Porto Alegre. Elas saíram em marcha do Mercado Público de Porto Alegre até o local. Integrantes vestidas de preto estiveram paradas em frente ao prédio, em silêncio, para lembrar que as mulheres têm sido silenciadas por várias formas de violência. Na mesma cidade, cerca de 1.000 mulheres ocupam o pátio da empresa Braskem, do grupo Odebrecht, no Pólo Petroquímico de Triunfo, região metropolitana de Porto Alegre. A manifestação tem o objetivo de denunciar que o plástico verde, produzido à base de cana-de-açúcar, é tão nocivo e poluidor quanto o plástico fabricado à base de petróleo.

Já em Passo Fundo (RS), 500 mulheres realizaram uma manifestação pública no centro, com atividades de formação no Seminário Nossa Senhora Aparecida.

No Sergipe, cerca de 1000 trabalhadoras rurais do estado estão acampadas na Praça da Bandeira de Aracaju. De 1 a 3 de março, elas participarão de atividades que denunciam os agrotóxicos, o agronegócio, a criminalização dos movimentos sociais e a violência da mulher.

Em Minas Gerais, o Fórum Regional por Reforma Agrária do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba ocupou a sede da Fazenda Inhumas, em Uberaba, no sábado (26/2), em ação que envolveu 200 famílias. O evento marca as atividades do 8 de março e discutirá com cerca de 500 mulheres a violência causada pelo agronegócio, as consequências do uso de agrotóxicos e as alternativas para transformação do modelo discriminatório estabelecido no campo e na cidade.

Em São Paulo, desde o início desta sexta-feira (25/2), várias mulheres do MST, realizam ato de denúncia e reivindicação na frente da Prefeitura de Limeira, próximo da Campinas. No último dia 24/2, cerca de 70 mulheres do MST e da Via Campesina realizaram a ocupação da prefeitura do município de Apiaí, localizado na região Sudoeste de São Paulo para reivindicar o acesso aos direitos básicos como: saúde, educação, moradia, transporte e saneamento básico, que vendo sendo negados pelo município às famílias acampadas.

Contato com a imprensaMayra Lima (DF) - 61-9684-6534
Igor Felippe (SP)- 11-9690-3614